É agora ou o vazo parte

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A sua inclusão na comitiva que acompanhou o Presidente João Lourenço ao Bié é uma evidência de que o ministro da Construção e Obras Públicas é aquilo a que os brasileiros chamariam apropriadamente cara de pau, ou seja, alguém que não tem um pingo de vergonha na cara.
Na verdade, se a Manuel Tavares ainda sobrasse um pingo de vergonha  naquela “fuça quase sempre fechada, teria pedido ao Presidente da República, seu amigo, a sua exclusão da comitiva que foi ao Bié. É assim que procederia um homem sensato.
Mas, pelos vistos, com o Sr. Manuel Tavares tudo funciona ao inverso. Continua a expor-se publicamente mesmo quando o “seu” projecto de construção da cidade dos ministérios foi abalroado pela opinião pública, pelo menos por enquanto. O próprio PR, de quem é amigo muito chegado, repete-se, não quis “queimar-se” junto dos eleitores, e por isso não moveu uma palha para defender, pelo menos por enquanto, a sonhada galinha dos ovos de ouro de Manuel Tavares. Com o recuo estratégico do PR, o ministro da Construção e Obras Públicas foi largado no alto mar. Ele e o seu megalômano é desnecessário, pelo menos por enquanto, projecto de construção da cidade dos ministérios.
Frustrado, tentou sacudir água do capote, culpando jornalistas pelo seu fracasso.
Mas tal como o azeite, que emerge sempre da água, o país acaba de ter uma prova de que é preferível ter jornalistas supostamente “bêbados e incompetentes” a ter ministros mentirosos. Seguramente, não foi nenhum jornalista bêbado é incompetente que envolveu o Presidente da República na constrangedora patranha segundo a qual o troço que liga Malange a Saurimo, na estrada 230, já estava um “brilho”. Foi o sr. Manuel Tavares que criou uma situação muito constrangedora ao PR. Sim, o Sr. Tavares decerto que não sabe, mas a mentira constrange.
E é justamente por ter empurrado o PR para uma situação muito embaraçosa que o ministro da Construção e Obras Públicas deveria ter solicitado a sua exclusão da comitiva que foi ao Bié. O que qualquer homem sensato faria  era deixar-se ficar em casa e aguardar  a devida e obrigatória punição por haver enganado o Presidente da República e, consequentemente, o país.


O trecho Malange-Saurimo que o PR disse estar completamente reparado. Culpa do Sr. “Cidade dos Ministérios”

Mas Manuel Tavares só teve tal comportamento porque o compromisso do PR de combate à impunidade anda aos ziguezagues. Tem sido titubeante. Temos o caso do ministro Carvalho da Rocha, que também envolveu o país naquilo que os brasileiros chamam saia justa, ou seja, constrangimento, por causa daquela farsa do concurso para a atribuição da licença ao quarto operador da telefonia celular. O que lhe aconteceu? Nyet! O “rapaz” está aí, rijinho da silva.
O PR partiu hoje, terça-feira, para uma visita de trabalho à Rússia, mas deixou uma mensagem perturbadora: é que hoje justamente hoje completou-se uma semana desde que transmitiu ao país informações inverídicas. João Lourenço partiu sem ter punido os coadjutores que o enganaram intencionalmente. Será que ele tem alguma dificuldade de identificar os “artistas”? que lhe mentiram?
Se tem, a populaça está aqui para ajudar: Manuel Tavares ( para o caso da patranha da estrada 230) e o seu “protegido” Carvalho  da Rocha, “Mr. Satélite” ( para o caso da Mediateca do “Vié”).
Faça o seu papel. Sr. Presidente. Não conte com a indulgência infinita dos angolanos.
A sua posição não permite misturar amizades com interesses do Estado.
Sr. Presidente puna exemplarmente os dois mentirosos e transmita aos outros seus auxiliares a mensagem de que basta, mas basta mesmo, de tratarem os cidadãos angolanos com escárnio. Se o PR nada fizer, “forçará” os angolanos a chamarem à colação a máxima segundo a qual “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.
É isso que o Sr. quer mesmo?
Quanto aos dois ministros o conselho é que não esperem ser demitidos. Ponham-se já ao fresco, com o que dariam aos vossos familiares e amigos pelo menos um motivo de orgulho.