João Pinto opôs-se à expulsão de Tchizé dos Santos

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Conhecido pela sua fidelidade canina ao clã Dos Santos, o deputado João Pinto demarcou-se da decisão da Assembleia Nacional, tomada no dia 29 de Outubro, que retirou o mandato parlamentar à Welwitchia “Tchizé” dos Santos.

Pouco antes da votação e depois de perceber o sentido de voto da maioria dos deputados do próprio MPLA, pelo qual Tchizé dos Santos foi eleita deputada, João Pinto retirou-se da sala e não mais regressou.

Tchizé dos Santos perdeu o mandato em virtude da sua prolongada ausência do país. Algures na Grã-Bretanha ou em Lisboa, a filha de José Eduardo dos Santos atribuiu a perda do seu mandato parlamentar ao Presidente João Lourenço, a quem acusa de ser ditador.

Com a sua propositada ausência da sala, momentos antes da votação, João Pinto tornou-se no único deputado do MPLA a opor-se à retirada do mandato parlamentar à Tchizé dos Santos. O Correio Angolense desconhece se a atitude de João Pinto lhe custará alguma sanção por parte do partido a que pertence.

Crítica feroz do Presidente da República, Tchizé dos Santos tem recebido, nas redes sociais, apoio total e incondicional de João Pinto.

Críticos habituais do MPLA, alguns deputados na oposição não acompanharam o sentido de voto da bancada parlamentar do partido governante. Tais foram os casos dos deputados da CASA-CE, da FNLA, do PRS e de dois deputados da UNITA – David Mendes e Raul Tati.

Alexandre Sebastião André, líder parlamentar da CASA-CE não se mostrou convencido pelos argumentos da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, que recomendou a decisão tomada pelo Plenário da Assembleia Nacional.

“Não sabemos quais foram as razões que estiveram na base da sua ausência e faltas permanentes na Assembleia Nacional”, disse.

A retirada do mandato parlamentar está prevista na Constituição da República e no Regimento da Assembleia Nacional. A actual Constituição do país, recorde-se, foi feita para acomodar totalmente os gostos e desejos de José Eduardo dos Santos.

Se fosse coerente, Tchizé dos Santos deveria dirigir a sua ira ao próprio pai.

Se dependesse exclusivamente de João Pinto, a Assembleia Nacional deveria rasgar o seu próprio Regimento por prever sanções como a perda de mandatos dos deputados que faltam a quatro sessões plenárias consecutivas. Para ele, tal dispositivo só deveria ser acionado a deputados da oposição, preferencialmente da UNITA, partido com o qual se recusa a reconciliar.