Autoridades preocupadas com poluição da AES na base da SONILS e arredores

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A actividade da empresa AES, detida por conhecidos “marimbondos” – eles abocanharam todos os negócios do sector petrolífero –, é um risco para a saúde dos moradores e trabalhadores do local e das adjacências. Em consequência, o Ministério da Defesa Nacional impôs a mudança das instalações de tratamento de resíduos químicos para outro local, ambientalmente mais seguro 

Trabalhadores do Porto Comercial de Luanda e adjacências, assim como os moradores das proximidades da base da Sonangol Integrated Logistic Services Lda. (SONILS), na capital do país, correm risco de vida por contaminação provocada por produtos tóxicos manuseados pela Angola Environmental Serviços (AES), uma empresa especializada no tratamento de resíduos petrolíferos provenientes das plataformas que operam em alto-mar angolano. A AES também recolhe e trata resíduos de companhias do ramo que operam em terra.

A informação foi dada ao Correio Angolense por fonte do Ministério da Defesa Nacional, cujos especialistas do respectivo Laboratório de Radiação estiveram no local em finais do ano passado. De acordo com a nossa fonte, o risco ocorre em razão de a empresa, detida por altas figuras da nomenclatura do MPLA e associada a uma companhia sul-africana, estar situada exatamente na conhecida base da SONILS, contígua ao Porto Comercial de Luanda.

Após a visita, os especialistas do Ministério da Defesa aconselharam a que a AES mudasse as suas instalações para fora do casco urbano de Luanda, de modo a salvaguardar a vida das pessoas e a biodiversidade na baía de Luanda. Esta é também a posição do Ministério do Ambiente, segundo disse a nossa fonte. Porém, os proprietários da empresa em questão entendem que não devem transferir a sua unidade de recolha, tratamento e deposição de resíduos como metais pesados e até produtos radioactivos como cianeto e outros. Invocam razões financeiras e ambientais para não o fazerem. 

“Moradores das imediações começam a ter sérios problemas de saúde, principalmente de natureza dermatológica que se supõem decorrentes da atividade da AES. Como se sabe, nas instalações da empresa já aconteceram dois incêndios”, disse a fonte.

Moradores das proximidades da base da   na capital do país, correm risco de vida por contaminação por produtos tóxicos manuseados pela AES.

Uma pequena investigação feita pelo Correio Angolense apurou a ocorrência desses incêndios, sendo um no dia 28 de Fevereiro de 2018, bem no interior de um armazém de químicos e resíduos perigosos provenientes de plataformas petrolíferas no mar. Esse incêndio aconteceu na sequência de um contacto entre a água da chuva que adentrou as instalações, com substratos químicos contidos num reservatório abandonado. 

O segundo incêndio aconteceu a 17 de Maio de 2018, quando técnicos procediam à mistura de químicos para o passadio da incineradora.

A nossa fonte, que pediu para não ser identificada, chamou a atenção para o facto de ambas as ocorrências haverem libertado fumos venenosos, inalados pelos habitantes e trabalhadores das redondezas e da própria empresa. “Algumas consequências já são visíveis, mas no médio e no longo prazos serão bem piores”, alertou.

De acordo com a fonte que vimos citando, a empresa opera sem licença ambiental, havendo vastas probabilidades de voltarem a ocorrer novos incêndios ou outro tipo de acidentes. O Correio Angolensetentou confirmar esta informação junto do Ministério do Ambiente, entretanto, sem sucesso.

A 8 de Outubro do ano passado, entretanto, o Ministério do Ambiente informou, em comunicado de imprensa, que procedeu à avaliação dos impactes ambientais decorrentes do incêndio de 28 de Fevereiro de 2018. De acordo com o documento, “os resultados obtidos das investigações feitas levaram a direcção do Ministério do Ambiente a concluir que a probabilidade de reincidência de acidentes de tal ordem é bastante alta”.

No comunicado concluiu igualmente que “as actividades de manuseio de resíduos perigosos, bem como o armazenamento de produtos químicos e materiais radioativos acarretam riscos ao ambiente, 

Praticadas pela AES ameaçam, por causa da sua localização, a saúde das populações na circunvizinhança e a diversidade biológica do mar”.