A profunda soneca do “Inspector” Magalhães

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Nos últimos dias tempos, os órgãos públicos de comunicação social, principalmente a RNA e a TPA, têm emitido várias publicidades institucionais.  A “enxurrada” de peças divulgadas sugere que os anunciantes não pagam um tostão furado pelo serviço que demandam, o que não está certo, vistos que todas as instituições oficiais são unidades orçamentais e têm dinheiro para a publicidade.  Não pagar é o equivalente a um funcionário público pretender viajar a bordo da TAAG sem pagar um centavo apenas porque a empresa é pública e ele também servidor público. Foi, aliás, por causa dessa balbúrdia que a companhia, apesar da sua avançada idade, nunca conseguiu “voar com segurança”, tendo inclusive pedido a ajuda da Emirates, uma companhia mais nova, para endireitar-se.

Colocando de lado a comparação, nessa “chuva” de dita publicidade institucional abundam erros crassos de grafia e de gramática, além do ridículo que algumas representam. Como aquela do Ministério da Defesa que no final do ano desejava Festas Felizes ao Comandante em Chefe das FAA.

Para desejar festas felizes ao Comandante em Chefe das FAA, o Ministério da Defesa podia perfeitamente dispensar a fanfarronice toda. Bastava que através dos canais oficiais augurasse Feliz Natal e Ano Novo próspero. E isso, para não falar no mau gosto estético da generalidade dessa publicidade, não poucas vezes feitas por agências de idoneidade duvidosa.

O mais grave aconteceu na última semana com um spot publicitário do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) divulgado na TPA. No fim da peça aparece o que provavelmente se pretendia ser a insígnia da República de Angola.  Mas o que os telespectadores viram aquilo foi pouco mais que uma imitação tosca, das tais que desobedecem as normas já há muito determinadas pelo Ministério da Administração do Território (MAT). O que é espantoso é que esse material passa pelo Ministério da Comunicação Social para aprovação antes de ser emitido ou publicado. E quem dá luz verde é o Director para a Comunicação Institucional, Eduardo Magalhães.

Eduardo Magalhães, que ganhou a alcunha de “Inspector” em virtude do seu estilo inquisitivo de entrevistas, sabe qual a insígnia oficial de Angola. Logo, para que passem tantas asneiras, o homem só pode estar a dormir, em profunda soneca durante a qual sonha vezes sem conta com o cargo de Secretário de Estado, sua aspiração no curto prazo. Não fosse assim, estaria mais atento ao que vai pelo “seu” ministério. Não fosse assim, jamais permitiria que se numerasse como segundo, o Conselho Consultivo que o Ministério da Comunicação Social realiza este mês em Catete. Antes de João Melo e Nuno Albino o pelouro teve outros responsáveis que também realizaram eventos do género. Ao agir assim, ou seja, ao começar do zero está-se a magoar a história.