As vidas distintas dos nossos endinheirados

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Não fosse um assunto sério, traríamos para aqui as piadas que se seguiram ao casamento da filha do presidente da Assembleia Nacional, o primeiro grande insulto à miséria nacional.

Percebe-se, agora, que esse ataque à nossa miséria, estabeleceu um “paradigma”. Casamentos de filhos de dignitários não podem ficar abaixo desse. Quer-nos parecer, todavia, que se o casamento da caçula de Nandó estabeleceu novo paradigma, por outro lado escondeu verdades embaraçosas na mesma família.

Em Setembro do ano passado foi uma festa que mais parecia a celebração do ano novo em Los Angeles.

Em Dezembro a mesma família, ou seja, um filho do mesmo pai da noiva, viu-se citado num edital de um tribunal por estar a dever a um banco. Dever dinheiro a um banco não é problema. Mau é quando o banco recorre à justiça para fazer valer o que lhe cabe, mesmo que no caso se trate de anúncio publicado em Dezembro.

Chegados aqui, urge perguntar: como se pode viver duas vidas tão distintas? Em Setembro um casamento faustoso, em Dezembro, um banco à perna de um rebento do mesmo pai.