“Mike” Pompeu realça “trabalho excelente” de JLO

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Durante a sua visita de 24 horas ao nosso país, o secretario de Estado americano, Michael R. Pompeo, colocou o acento tónico na luta contra a corrupção em Angola, conforme já se previa, à luz do comunicado do Departamento de Estado de 5 deste mês, o qual anunciava esta visita, cujo propósito foi descrito como sendo o de “confirmar o apoio dos EUA nos esforços de luta contra a corrupção e de democratização de Angola. 

Em Luanda, Michael R. Pompeo falou demoradamente com João Lourenço, a quem cobriu de elogios durante a conferência de imprensa realizada no Ministério das Relações Exteriores de Angola. “Nesses dois anos e meio o presidente João Lourenço está a fazer um excelente trabalho para tornar a corrupção num fantasma do passado e está a aumentar a transparência”, disse depois de apontar como exemplo o esforço de privatização de empresas estatais. Por isso, disse-se “optimista”  que Angola se livrará do pesadelo da corrupção e que as reformas vão permitir um maior investimento estrangeiro.

Para sublinhar quanto está a ser apreciado o combate à corrupção pelo governo americano e outras instituições do seu país, o chefe da diplomacia dos EUA fez questão de revelar que a petrolífera americana Chevron vai investir USD 2.000 milhões na exploração de campos de petróleo e gás, num momento de claro desinvestimento no sector devido a baixa do preço do crude registada em finais de 2014 e que afectou de forma severa a economia angolana. “As barreiras da corrupção limitaram por muito tempo o potencial do país”, disse no seu discurso antes da conferência de imprensa.

Por isso, não teve pejo nenhum em admitir que os EUA ajudem Angola a responsabilizar os indivíduos envolvidos em esquemas corruptos de evasão de capitais. “Os EUA dão assistência a todos os países do Mundo que solicitem, porque pretende que todas as transacções no Mundo sejam limpas e transparentes. Quando identificam que não é isso o que acontece, os EUA utilizam os seus recursos para corrigir essas acções. É isto o que os EUA vão fazer para auxiliar Angola neste processo que também beneficiará os EUA”, prometeu o chefe da diplomacia americana. 

Por seu turno, o ministro da Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, considerou a visita de Michael Pompeo como sendo um “sinal do alto nível das relaciones existentes entre os dois países, que são parceiros estratégicos que tentam nos últimos tempos dar corpo a esse estatuto especial”. Para ele, a presença do secretario de Estado dos EUA em Angola é significativa para el Executivo angolano. “Acreditamos que a sua presença é também um sinal de apoio da administração do presidente Donald Trump para Angola”.    

Michael Pompeo, que chegou na noite de domingo, 16, a Luanda procedente de Dakar (Senegal), seguiu ainda esta segunda-feira, 17, para Adis Abeba, Etiópia, onde ficará dois dias. Naquele país, que acolhe a sede da União Africana, ele vai reunir-se com o primeiro-ministro Abiy Ahmed e com o presidente Sahle-Work Zewde para discutir os esforços conjuntos na promoção da segurança regional e o apoio ao programa histórico de reforma política e económica da Etiópia.  O Secretário de Estado americano reunir-se-á igualmente com o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat.

No fim do seu périplo tricontinental, o governante americano segue quarta-feira próxima 19 para o Oriente Médio, onde fará escala em Riad (Arábia Saudita) para discutir assuntos regionais e bilaterais – inclusive o Irão, o Iémen e os direitos humanos – com a liderança saudita.  Daí, o Secretário viajará para Omã, a fim de expressar suas condolências pelo falecimento do sultão Qaboos bin Said, de Omã, e para reunir-se com o sultão Haitham bin Tarik com vistas a ressaltar a parceria dos Estados Unidos com aquele sultanato. 

O périplo de Michael Pompeo iniciou sexta-feira passada, 14 de Fevereiro, em Munique, Alemanha, onde participou à frente de uma delegação americana na Conferência de Segurança. Depois, esteve em Dakar, Senegal, sábado e domingo últimos, 16 e 17, tendo mantido encontros com o presidente Macky Sall e com o ministro das Relações Exteriores, Amadou Ba, para discutir como aprofundar a parceria em matéria de segurança e de economia.