Tavares comemora prato de lentilhas

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No fim da semana passada, o homem a quem o Presidente João Lourenço fantasiou de ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, chamou a imprensa para festejar o inicio do designado Programa Nacional de Salvação de Estradas.
“Nós priorizamos a operação tapa buracos mas com um nível de qualidade tal que tem que estar adequado à qualidade do pavimento existente. Vai ser também realizado como prioridade a limpeza das valetas, reconstrução de valetas, limpeza de passagens hidráulicas, e reparação de passagens hidráulicas, corte de capinagem (!). Como a maior parte dos troços está invadido por buracos, nós pensamos que nos próximos meses, muito breve, nós teremos a maior parte dos troços de estradas já em melhores condições de trafegabilidade. De momento, as empresas vão atacar então aqueles trabalhos de reabilitação com um pouco mais de profundidade em que vão intervir na estrutura da base, sub-base, ligação com as pontes, enfim”, comemorou o homem.
O pacote paliativo contempla 370 quilómetros e está orçado em 175 milhões de dólares. O dinheiro será dividido por 20 empresas de construção, as tais que farão as empreitadas nomeadas pelo fantasiado ministro, e 11 de fiscalização.
O valor global da empreitada e o número de empresas de construção e de fiscalização que hão de “dividir o mal pelas aldeias” não justificam o jubilo de Manuel Tavares de Almeida.
Na sua edição de terça-feira, 18, o oficioso Jornal de Angola noticiou que apenas 15% (26.250.000,00) de 175 milhões já estão disponíveis no Ministério das Finanças.
Ora, um pequeno exercício de Aritmética dir-nos-á que se do dinheiro disponível fosse dividido em partes iguais (hipótese muito remota) e dele tirássemos 5% para as 11 empresas de fiscalização (é o preço médio que elas cobram por empreitada), temos que a cada empresa de fiscalização caberia qualquer coisa como 119.318,00 dólares. (O caminho é: 26.250.000 x 5% / 11).
Distribuído pelas 20 construtoras, o remanescente de 24.937.500,00 destinaria a cada empreiteiro o valor de 1.246.875,00.
Num país em que os preços sobem descontroladamente (o aumento da tarifa dos combustíveis está aí bater à porta), há motivos para o ministro da Construção e Obras Públicas cantar de galo?
Neste país, ninguém se surpreenda se daqui a algumas semanas as empreiteiras e os fiscais reclamarem a revisão dos preços.
Se não distraísse o Governo com projectos absolutamente dispensáveis, pelo menos por ora, como aquela tolice do Bairro dos Ministérios, por certo que o fantasiado ministro da Construção e Obras Públicas seria capaz de comover os seus pares do Governo a ponto de lhe concederem fatia maior no Orçamento Geral do Estado para a reabilitação das estradas nacionais.
Tendo gasto todo o “latim” em superficialidades, Manuel Tavares de Almeida queimou todo o capital e agora contenta-se com qualquer prato de lentilhas.