Ângela Bragança manda bugiar JLO

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A antiga “adjunta” de Bornito de Sousa na JMPLA terá alegado razões de saúde para dizer “não” ao presidente João Lourenço. Mas o Correio Angolense sabe que ela se sentiu humilhada e desrespeitada pela proposta que lhe colocava abaixo de alguém sem experiência administrativa ao nível da governação!… 

No decreto do presidente João Lourenço, desta segunda-feira, 6 de Abril de 2020, no qual nomeia os titulares dos novos cargos criados após redefinição da orgânica dos departamentos ministeriais, não está provido o cargo de secretário de Estado para o Turismo, do mega-ministério da Cultura Hotelaria e Turismo.

Em princípio, o cargo deveria ser ocupado por Maria Ângela Teixeira de Alva Sequeira Bragança, como de resto se pode inferir pela lógica seguida pelo titular do poder executivo nas nomeações das secretárias de Estado dos restantes pelouros da mega-estrutura ministerial. Ou seja, “despromoveu” as ministras da Cultura e do Ambiente para secretárias de Estado, sendo que o mesmo deveria acontecer com a antiga “número 2” da JMPLA na década de 1980, quando foi adjunta do actual vice-presidente Bornito de Sousa.

O Correio Angolense sabe que quando contactada a última hora para saber da sua disponibilidade para “descer” de categoria, Ângela Bragança terá dito “não”, de forma indirecta, por descordar com a sua “despromoção”. Oficialmente, entretanto, terá alegado polida e educadamente razões de saúde para mandar bugiar o PR. Sendo quadro experimentado do aparelho partidário e da governação, com passagem pelo legislativo, ela entendeu não ser boa ideia subordinar-se a uma técnica de 30 anos de idade que jamais teve alguma experiência administrativa.

Membro do Bureau Político do MPLA, Ângela Bragança era tida como estando na “pole position” para ocupar o cargo de ministra. Não só pela experiência governativa que trazia na bagagem, mas também pela sua formação académica (ciências sociais), relativamente abrangente para o mega-ministério que JLO decidiu criar. Afinal, tem um currículo político denso, onde se sobrelevam os cargos de presidente da comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional e de 3.ª vice-presidente do grupo parlamentar do MPLA entre 1992 e 2011, além de ter assumido o cargo de secretária de Estado da Cooperação no MIREX, entre 2012 e 2017. Também foi segunda secretária da JMPLA nos tempos em que a militância não se atrelava a interesses materiais e ocupou o posto de diretora do Instituto Nacional da Criança, tendo sido também deputada na I República, na defunta Assembleia do Povo. 

Conhecida por ter sangue na guelra, foi dos poucos militantes do MPLA – contam-se pelos dedos da mão e mesmo assim ainda sobram – que ousaram criticar José Eduardo dos Santos no auge da bajulação que quase o transformou em Deus. Ou seja, ela não é propriamente alguém que diga sempre “sim camarada presidente” e que só veja virtudes no chefe. E isso demonstrou-o numa reunião do Comité Central do MPLA em Dezembro de 2012, quando questionou o então presidente do partido sobre os critérios de nomeação dos membros do Bureau Político da “grande família”.  

Um politólogo contactado pelo Correio Angolense disse ter sido surpreendente a nomeação da bióloga Adjany Costa para assumir a mega-estrutura, “eventualmente o maior e mais desconexo ministério do Mundo”. “É óbvio que João Lourenço não tem um conhecimento denso do que vai acontecendo no país em matéria ambiental. Provavelmente terá emprenhado pelos ouvidos, alguém o terá sugerido o nome de Adjany Costa”, conjecturou para acrescentar que “pela lógica que vem seguindo nas nomeações desde que assumiu a Presidência da República em de Setembro de 2017 era expectável que a ministra do pelouro fosse ou Ângela Bragança ou Paula Coelho, ambas membros do Bureau Político do MPLA”.

“Se Ângela Bragança era carta fora do baralho, a lógica indicava que a ministra fosse Paula Coelho, que já tinha alguma experiência administrativa que vinha dos anos em que foi secretária de Estado e ministra do Ambiente. A nomeação da nova ministra pode ter sido resultado de pressões ou de lobbies de grupos (nacionais e internacionais) interessados no negócio do Projecto Okavango, provavelmente os mesmos que amarraram o governo num contrato milionário de 100 anos para a gestão de um aterro sanitário”, conjecturou o politólogo que não se identificou. E concluiu: “O Okavango é um negócio de muitos milhões de dólares e há quem se julgue dono do mesmo”.      

O Correio Angolense sabe também que a maior parte dos nomeados não foi contactada para o efeito, uma prática de que JLO vem usando e abusando. Desta vez, só alguns “históricos” do MPLA foram abordados para saber da sua disponibilidade, como foi o caso de Ângela Bragança.