OEA contribui com solução de higienização para a prevenção de contágio por Coronavírus

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No âmbito da responsabilidade social que lhe assiste, a Ordem dos Engenheiros de Angola (OEA), através de um grupo de engenheiros associados a organização, projectou uma solução rápida e económica de higienização de mãos, tendo em vista a prevenção de contágio por Coronavírus (Covid-19), segundo disse ao Correio Angolense o bastonário da Ordem, Paulino Neto.
“A par do que fazem os cientistas (engajados na busca de vacinas ou remédios) e os inúmeros profissionais de saúde em todo mundo, a OEA elaborou uma proposta de implementação de um projecto piloto de sistemas de higienização comunitária, de baixo custo, a instalar em vários pontos da província de Luanda, prevendo-se a sua implementação nas demais províncias do país, condicionado ao apoio das instituições locais”, informou o nosso entrevistado.
O propósito desta iniciativa, cuja implementação já está em curso e iniciou a 27 de Março último no Município do Sambizanga, é garantir o cumprimento das medidas de prevenção e higiene das pessoas mais carenciadas e não só́; é criar pontos de higienização em zonas com grande aglomeração de pessoas, também considerados pontos críticos, tais como paragens de autocarro e de táxis colectivos, mercados informais e formais; é reforçar a higienização aquando do acesso às unidades de saúde, maternidades e similares; é difundir as medidas de prevenção e higiene e incentivar o seu cumprimento. Numa primeira fase os sistemas serão instalados em Luanda e posteriormente nas demais províncias, de acordo com as respectivas dinâmicas sociais.
Orçado em aproximadamente AKZ 5.000,00 por unidade, a solução idealizada pelos engenheiros Manda Satshishinga, José Sumbula , Joelson de Matos e Vera Mário é um tambor vazio de 200 litros (de óleos lubrificantes e similares) e descartado, com uma torneira junto da base e assente em blocos de alvenaria dispostos de forma intercalada ou outra similar, com altura da base a variar entre o metro e o meio metro e montados num local com acesso directo a um ponto de esgoto/sargeta. Em cada ponto serão colocados quatro ou cinco reservatórios, sendo a sua alimentação regular feita através de camiões cisternas, motos-cisternas ou através da rede pública, neste último caso, onde for possível. Curiosamente, esse tipo de depósito era muito utilizado como reservatório de água em muitas casas de periferia.
“Tão logo recebemos as propostas dos nossos associados, enviamo-las para as empresas DAR Angola, BDM, Griner, Progets e para a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis e recebemos respostas favoráveis de quase todas e da ANPG, que envolveu a Sonangol Distribuidora no projecto. A DAR Angola trouxe a empresa CASAIS Angola. Dessa forma, logo depois de termos recebido 18 tambores da Sonangol Distribuidora, torneiras e discos de soldar da BDM, e de nos terem sido colocados à disposição duas carrinhas, um serralheiro e um canalizador pela Griner e mais de 1000 blocos pela CASAIS iniciamos a montagem dos kits”, revelou o bastonário.
De acordo com Paulino Neto, os primeiros kits foram entregues no dia 28 de Março no Distrito Urbano do Sambinzanga, tendo o primeiríssimo sido montado no mercado de São Paulo. Um dia depois desse passo juntou-se ao projecto a Engenheira René, outro membro da OEA, que que passou a disponibilizar barras de sabão azul. No dia 30 de Março foram entregues mais kits, desta feita ao Centro de Acolhimento do Ramiros, seguindo-se o Hospital da Samba, Posto de Saúde da Cruz Vermelha de Angola, no Bairro Chinguar/Benfica, Centro Materno Infantil Chimbicando, no Camama, e o Hospital da Samba. Segunda-feira última, 6 de Abril, foram entregues os três últimos kits ao Centro de acolhimento de Viana. Tudo foi feito mediante orientação e apoio do Governo da Província de Luanda.

Populares usufruindo da solução da OEA


“Sempre que entregamos um kit, fazemo-lo com água no tambor, algumas barras de sabão e um ou dois frascos de lixívia. No momento da oferta fazemos uma demonstração da sua utilização e posto isso deixamos o kit sob gestão de quem o recebe”, detalhou antes de anotar que após conclusão da montagem, a gestão dos sistemas é da responsabilidade das autoridades locais, incluindo os abastecimentos e os produtos para a lavagem de mãos. E a OEA, conforme distribuição geográfica dos seus membros, poderá acompanhar e dar um feedback sobre a eficiência e eficácia. Acrescentou também que em zonas onde existam chafarizes, poderá ser feita uma ligação temporária à rede pública e dispensar o abastecimento por camiões cisternas.
Com um tempo de instalação relativamente curto – segundo Paulino Neto, é de meio dia em qualquer local da cidade – os reservatórios serão colocados igualmente em pontos estratégicos e de grande afluência de pessoas. Trata-se de locais como paragens terminais de táxi e de autocarros (inter-urbano ou inter-provincial), escolas e mercados informais, algo que depende do Governo Provincial que indica os locais de montagem. Enquanto isso, a OEA vai produzindo à medida que vai recebendo mais tambores. “Como um dos objectivos é divulgar e incentivar as medidas de prevenção de contágio pelo Covid-19, essas são publicitadas nos próprios reservatórios, tudo de acordo com informações e orientações do Ministério da Saúde e da OMS, de modo a orientar os utilizadores por forma a garantir a sua manutenção e conservação”, explicou o nosso interlocutor.
Apesar de o valor de um kit rondar os AKZ 5.000,00, o projecto foi concebido para não agredir o ambiente. Ou seja, recorrendo ao uso máximo de materiais descartados, para não exigir esforços financeiros dos parceiros, numa fase tão conturbada para as empresas. “Portanto, a ideia é levar para o projecto materiais «descartáveis» e só no limite recorrermos a meios monetários”, assegurou.
Segundo Paulino Neto, “está em curso a montagem de um outro mecanismo para a passagem de água que não seja torneira”, algo que interessa ao Governo central, Governos provinciais; empresas locais (províncias); pessoas singulares; e ministérios (principalmente o da Saúde). O bastonário da OEA adiantou que para a implementação desse projecto “serão necessários voluntários a identificar localmente, de preferência nas zonas de implementação”.
Ajuntou que “tendo em conta que há o risco de propagação do vírus em todo o território nacional, prevê-se a realização de acções de formação e distribuição de meios de proteção e produtos de higienização”, sem, entretanto, avançar prazos, que dependem em grande medida dos recursos que forem possíveis reunir.
Este projecto irá integrar todas as boas propostas ou projectos pilotos desenvolvidos por outros profissionais e que sejam exequíveis a curto prazo, tendo parceiros cujas funções e responsabilidades sejam a aquisição de financiamento ou disponibilização de recursos financeiros. Espera-se das outras partes interessadas apoio institucional e acções de sensibilização e implementação do projecto; financiamento e disponibilização de meios e recursos; contribuições e engajamento na implementação do projecto; Ministério da Saúde: acções de formação, disponibilização de profissionais (se possível) e apoio na aquisição dos meios de protecção das equipas engajadas na implementação do projecto.