Eleições nas associações desportivas sem “ordens superiores”

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Há candidatos a passarem a mensagem aos eleitores que são apoiados pelo MPLA, por ministérios ou outras entidades governamentais. Isto não passa de artimanha para condicionar o sentido de voto… 

Apesar da Covid’19, pandemia que mundialmente vem condicionando uma série de realizações, em Angola as eleições para a renovação de mandatos nas associações desportivas estão em curso. Para o efeito, aliás, a Direcção Nacional dos Desportos emitiu um comunicado afim, que estabelece as datas para a conclusão do processo, devendo estar tudo resolvido em Setembro próximo. 

Em face disso, é grande a movimentação nos corredores do desporto nacional, na busca de apoios institucionais e posições favoráveis para o assalto aos “cadeirões” em disputa. Nessa contenda nem sempre o jogo tem sido limpo, tanto ao nível de clubes como de Associações Provinciais e, principalmente, federações, onde a peleja é, em regra, mais cruenta.

Para alcançarem o poder, alguns candidatos, real ou imaginariamente ligados aos círculos de decisão, têm passado à população votante a mensagem segundo a qual, “ordens superiores” foram dadas para que votassem neles. Ao fazê-lo, dizem sempre que ministro fulano ou “o partido” [entenda-se, direcção do MPLA] ordenam que o voto seja destinado a um determinado nome (líder de lista).

O Correio Angolense está em condições de assegurar que a direcção do partido no poder não apoia qualquer candidato ou lista em qualquer associação desportiva, mesmo que eventualmente seja militante. “Temos que aprender a não interferir nos actos da sociedade civil. As eleições nas associações desportivas são um exercício de cidadania e exemplo de pujança do associativismo, que tornam robusta a nossa democracia. Por isso, não vamos apoiar quem quer que seja, nem mesmo militantes do partido”, disse um membro do Secretariado do Bureau Político do MPLA.

Do mesmo modo, um alto funcionário do Ministério dos Transportes garantiu ao Correio Angolense que não apoia nenhum candidato ou lista concorrente às eleições no ASA, até porque o clube não tem qualquer tipo de ligação àquele departamento ministerial. “Num momento peculiar da história recente de Angola, quando clubes estavam ligados a empresas ou ministérios, o ASA até adoptara o nome Desportivo da TAAG e tinha todo o apoio da companhia. Mas agora é diferente. O clube é dos sócios e estes é que devem comandar os seus destinos. Não vamos meter a foice em seara alheia”, afiançou.O mesmo acontece no Interclube de Luanda, onde a direcção do ministério do Interior não tem nenhum candidato preferencial. Informações chegadas a nossa redacção, a liderança do ministério entendeu que não deve interferir no pleito, deixando os associados indicarem livremente quem querem para substituir Alves Simões, que fez mais de duas décadas à frente daquela que é considerada a agremiação mais rica do país, mais até que o 1.º de Agosto e o Petro-Atlético de Luanda. Por isso é que, na linha de partida posicionam-se, sem qualquer tipo de rebuço, três aspirantes, designadamente o actual “vice” António Manuel “Kamuloji”, assim como os comissários Alexandre Canelas e José Martinez.