A BOLA É SUA, PRESIDENTE!

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Na Mensagem que ontem dirigiu ao País, o Presidente da República disse que a nova realidade angolana, que emerge da circulação comunitária do vírus da Covid-19, tem de ser levada muito a sério.  chamou à atenção dos angolanos para “levarmos muito a sério esta nova realidade com a qual passamos a conviver todos os dias nas ruas e em todos os locais públicos, sobretudo fechados, e com alguma concentração de pessoas”. 

João Lourenço apelou aos angolanos “no sentido de levarmos muito a sério esta nova realidade com a qual passamos a conviver todos os dias nas ruas e em todos os locais públicos, sobretudo fechados, e com alguma concentração de pessoas”.

Para o Presidente da República, a infecção pelo vírus da Covid-19 “que pode bater à porta a qualquer país, só vem confirmar que a Humanidade só ficará salva desta pandemia quando se descobrir uma vacina segura e de distribuição à escala planetária. Até que isso aconteça, só temos uma atitude a tomar: tudo fazer para evitar sermos contaminados ou contaminarmos os que nos rodeiam, numa palavra, PREVENIR-NOS”.

Entre as medidas de prevenção, o Presidente da República decretou uma cerca sanitária sobre a província de Luanda e sobre o município do Cazengo, no Kwanza Norte, e o uso obrigatório de máscaras na via pública.

As fronteiras aéreas, marítimas e terrestres de Luanda são episodicamente abertas apenas para voos humanitários, fornecimento de bens essenciais, e pouco mais.

Por causa da turbulência interna na seita do brasileiro Edir Macedo, nos últimos dias têm circulado insistentes notícias segundo as quais um grupo de entidades brasileiras, que incluiria senadores e deputados, estaria a preparar uma deslocação a Angola para um exercício de relações públicas a favor da Igreja Universal do Reino de Deus.

Não é crível que tal aconteça. Não é crível que o Presidente da República autorize a abertura do espaço aéreo apenas porque deputados e senadores brasileiros querem vir derramar baba e ranho por causa da mina de outro que começa a escapar das mãos do negociante de fé Edir Macedo. 

Se o Presidente da República autorizar um “buraco” na cerca sanitária sobre Luanda, terá de estender o gesto aos milhões de angolanos que querem sair de Luanda, não já para irem ao estrangeiro, mas apenas para espairecer um pouco em Benguela, Malange, Huíla e outros locais do nosso país.

Homem de princípios e de palavra, o estadista João Lourenço certamente não se vergará aos desígnios da turma brasileira que pretende vir aqui torcer pelo negociante Edir Macedo.

Se aos angolanos, surpreendidos no estrangeiro pela emergência da pandemia não é facilitado o regresso ao seu ao país, não faz o menor sentido que as nossas fronteiras sejam excepcionalmente abertas para permitir a entrada de uma gangue da IURD.

Há todos os motivos e mais alguns para acreditar que o Presidente João Lourenço não se deixará comover pelo fingido choro de Edir Macedo e seus assalariados.