“Metamorfoses” pós-morte

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Meus caros

Vamos deixar de ser hipócritas e passar a dizer aquilo que pensamos.

É verdade que nos nossos hábitos e tradições os mortos viram santos desde o dia em que se despedem deste mundo, mas com franqueza, deixemos de atirar areia para os olhos das pessoas. “Angola perde um exímio nacionalista e político, que sempre desempenhou com zelo e abnegação e espírito patriótico as funções que lhe foram confiadas”, referiu Luísa Damião, vice-presidente do MPLA, em declarações à rádio pública angolana.

Kundi Paihama foi general das FAPLA e das FAA sem nunca ter comandado um pelotão ou uma companhia

O que é que fez este “exímio nacionalista”? Cumpriu com “zelo e abnegação e espírito patriótico as funções que lhe foram confiadas” pelo MPLA? Que foi um “ministro da segurança do Estado (1980/1981)”, que participou com zelo na repressão dos opositores ao MPLA? Que foi “governador das províncias de Luanda, Huíla, Benguela, Huambo, Cunene”, e em nenhuma delas foi um bom gestor e não deixou saudades aos habitantes dessas províncias? Que fruto da acumulação primitiva de capitais, tornou-se empresário e proprietário da “Plurijogos, concessionária de casinos, e do Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC), que viu a sua licença retirada pelo Banco Nacional de Angola por “graves problemas técnicos”, colocando a instituição em “falência técnica”, tendo levado ambas à falência? Que se tornou um latifundiário no Kipungu, tendo esbulhado as populações locais em 12 mil hectares, que dentro da sua cultura tradicional mwila de que ser rico “é ter terras e água”, esquecendo-se apenas de mencionar o número de cabeças de gado que surripiou? Que foi general das FAPLA e das FAA sem nunca ter comandado um pelotão ou uma companhia e muito menos uma brigada, sendo mais um dos políticos do MPLA que obteve o cargo de general por recompensa dos serviços prestados a José Eduardo dos Santos e ao MPLA?