EMIS sabota esforços governamentais para controlar a pandemia da Covid’19

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Coincidência ou não, num período sensível do mês, em que empresas e ministérios estão a proceder ao pagamento de salários e, em alguns casos, à liquidação do 13.º, não há dinheiro nas caixas electrónicas, provocando assim ajuntamentos potencialmente perigoso nos ATM’s, o que pode fazer disparar os índices de contaminação por Coronavírus!… Os Serviços de Inteligência acreditam que pode haver gato escondido com o rabo de fora!

A Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), SA está a marchar em direção contrária aos esforços do governo para controlar a propagação da pandemia da Covid’19, que assola o Mundo desde finais do ano passado. Isto porque há dias a esta parte que um número considerável dos ATM’s (caixas electrónicas) da capital do país estão desprovidos de dinheiro.

Em face disso, nos poucos terminais onde de quando em vez vai pingando algumas cédulas, as aglomerações de clientes são uma realidade preocupante. Devido à necessidade de liquidações de contas, nesse período do mês em que quase tudo (propinas escolares, taxas de condomínio, rendas de casa, etc.) tem de ser pago até dia 10, o que em regra leva as pessoas ao stress. Em consequência há inadvertidamente um relaxamento das medidas de segurança, sendo o distanciamento social a disposição mais violada. Nos ATM’s o cenário é quase aterrador, se tivermos em conta que o distanciamento social é uma das medidas de contenção da propagação do mortal vírus. O quadro é de dezenas de pessoas, muito próximas das outras, em longas bichas, quase encavalitadas umas nas outras. A ansiedade por chegar próximo da caixa e levantar dinheiro ou efectuar uma operação é tanta que muitas pessoas se esquecem momentaneamente de manter prudente distância de outras.

Deliberadamente ou involuntariamente, a companhia em questão tem desencorajado a observação das medidas de biossegurança decretadas pelas autoridades governamentais e pelas autoridades sanitárias mundiais. Desse modo, a EMIS SA transforma os poucos ATM’s com dinheiro em potenciais focos de contaminação por Coronavírus, colocando em risco o plano governamental de contenção da pandemia.

Além disso, desrespeita clientes, faltando com aquilo que diz ser a sua Missão. Ou seja, não está a “contribuir para a massificação do pagamento electrónico em Angola e para a eficiência geral do sistema de pagamentos angolano, garantindo segurança, eficácia, comodidade e inovação, ao menor custo possível”, como propala no seu site. O mais grave em tudo isso é que o problema já se arrasta há alguns dias e ninguém da EMIS, em cujos órgãos sociais se acomodam 23 figuras (ou figurantes?), deu o rosto para dar uma satisfação que seja – uma só – aos clientes. Nem a correspondente área de comunicação institucional da companhia fez um comunicado qualquer (mesmo mentindo) para ao menos demonstrar algum respeito pelos clientes. O silêncio é total por parte da empresa que refere prosaicamente no seu site: “pomos qualidade em tudo o que fazemos”. Se isto é serviço de qualidade…

Fonte do Correio Angolense assegurou que os Serviços de Inteligência entraram em campo para averiguar as razões desse quase “apagão”. Num momento sensível da vida sócio-política do país, com manifestações devido ao aumento do custo de vida, há dentro da Secreta quem entenda que o que está a acontecer pode não ser tão inocente quanto isso. É que, há algumas coincidências perturbadoras. Atentemos: manifestação em vista para 10 de Dezembro; período de pagamento de salário sem dinheiro nos ATM’s; aglomerações nas caixas electrónicas que podem potenciar uma escalada de contaminações… Tudo isso despertou quem tem a missão de velar pela segurança dos angolanos.