MPLA apostado em “desossar” a MFM

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Já está em período experimental a Rádio Nova (RN), uma emissora que tem por detrás o MPLA através do seu secretário-geral, Paulo Pombolo.
A RN segue a mesma estratégia no poder de disseminação de rádios em períodos pré-eleitorais. Assim sucedeu com a Luanda Antena Comercial (LAC), Rádio 2000 e outras criadas em 1992, antes das primeiras eleições.

Aparentemente, a RN segue dois objectivos: fazer concorrência à MFM, sem dúvida a rádio mais ouvida em Luanda, sobretudo ao sábado por causa do seu programa de Conversas Entrecruzadas, uma espécie de tertúlia em que intelectuais de diferentes backgrounds procuram perspectivas diferentes sobre os mesmos assuntos. O painel residente desse espaço é composto pelos académicos Jonuel Gonçalves (Economista), Professor Doutor José Octávio Serra Van-Dúnem (Sociólogo e Filósofo), Paulo Inglês (Sociólogo), Kâmia Madeira (Historiadora), Conceiçao Vaz (mestre em relações internacionais), Graça Campos e Rafael Marques, ambos Jornalistas.

Um segundo objectivo pode ser o de juntar mais uma voz fiel nesta altura em que cresce a cada dia o número de pessoas que contestam abertamente o governo do MPLA.

O facto de a RN ter ido buscar à MFM o conceituado jornalista João Pinto, a quem ofereceu acções e lhe confiou a direcção da emissora, significa que o MPLA sente-se incomodado com o perfil editorial da radio do Nova Vida.
O radialista Almir Agria ,afastado da MFM há um ano, é outro integrante do novo braço do MPLA. Ele é que conduz o período experimental, que se estenderá até 25 de Dezembro.

Bruno Reis, o dono da MFM, terá de puxar dos galões para manter Manuel Vieira, outro jornalista cobiçado pela rádio supostamente pertencente a Paulo Pombolo.

Pessoas que lhe são próximas disseram ao Correio Angolense que o secretário-geral do MPLA estaria também com os olhos sobre alguns integrantes do Conversas Entrecruzadas. Mas é muito improvável, se não mesmo impossível, que ele possa “pescar” naquelas águas. Ou seja, como se diz na gíria, o painel de comentaristas do Conversas Entrecruzadas não é para o bico do MPLA.

Técnicos da MFM, nomeadamente o seu sócio e director, Bruno Reis, ajudaram a montar a Rádio Nova.

O indisfarçado assédio do MPLA a quadros e colaboradores da MFM significa que a “grande família” é muito dada à ingratidão.