“Caso GRECIMA” é cabala política

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A opinião pública acompanha o julgamento do chamado “Caso GRECIMA”, que brevemente chega à fase das alegações finais, sem perceber a fundamentação do libelo acusatório.

O antigo Presidente da República, enquanto titular do Poder Executivo, tinha competência, ao abrigo dos poderes que lhe confere a Constituição, de “definir a orgânica e estabelecer a composição do Poder Executivo”. 

Cria, assim, o Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing (GRECIMA), dotado de autonomia financeira e patrimonial e nomeia o respectivo director.

Claramente, o acto praticado pelo antigo Chefe do Executivo está coberto de legalidade, afastando, deste modo, a possibilidade de transferência da responsabilidade para um seu subordinado.

O então Chefe do Executivo visava, com a criação do GRECIMA, conferir maior intensidade e densidade à estrutura comunicacional do próprio executivo e agilidade operacional ao sistema nacional de comunicação social.

Pelo seu alcance e extensão, a actividade do GRECIMA aproveitava a imagem do próprio MPLA e dos seus militantes, ou seja, ao partido do Governo no seu todo.

Curiosamente, é esta máquina que foi posta ao serviço da vitória do candidato do MPLA às eleições de 2017 e com seu conhecimento e participação.

Afinal, o candidato João Lourenço sempre teve assento no Bureau Político e a sua cadeira nunca esteve vazia, logo, era solidário com todas decisões ali tomadas.

Sabendo que um militante, membro do Comité Central do Partido, ia a julgamento, acusado de actos que ele próprio aprovou enquanto membro do Bureau Político, respondeu como Pôncio Pilatos.

Na verdade, o GRECIMA era na prática o coordenador de toda a sua estratégia comunicacional eleitoral em 2017. 

Portanto, seria insuficiente procurar um entendimento do “Caso GRECIMA” baseado apenas na personalidade bipolar do actual Presidente do MPLA, até porque, como se sabe, enquanto titular do Poder Executivo, acabou por criar também uma estrutura idêntica ao GRECIMA, o CIPRA.

É o CIPRA, por exemplo, que agora faz lobbies junto de órgãos de imprensa, na Europa, junto da “Euronews” e nos Estados Unidos da América, junto do “Wall Street Journal” despendendo milhões de dólares.Não há outra conclusão a extrair senão a de que o julgamento em andamento é uma cabala política urdida nos bastidores do partido e sob suspeita de estar a ser orientado por “obscuras ordens superiores”.