JL E SAMA QUASE AOS BEIJOS…

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A reunião do Conselho da República de segunda-feira, que marcou o regresso de Isaías Samakuva àquele órgão de consulta do Presidente da República, registou momentos de “comoventes” trocas de “afectos” entre o anfitrião, João Lourenço, e o regressado Isaías Samakuva.

Quis o destino (o Tribunal Constitucional, melhor dito) que a Pátria o chamasse pela segunda vez para desempenhar o mesmo papel, facto que não é comum. Por essa razão, gostaria de aproveitar esta oportunidade para felicitá-lo. Portanto, não sendo novo, conhecemos as suas qualidades, foi durante um tempo já nosso colega no Conselho da República e sabemos o que esperamos de si.(…) Espero que desta vez tenha vindo para ficar”, disse o anfitrião.

Embevecido, Samakuva retribuiu os “galanteios” de João Lourenço.

“Esta responsabilidade leva-nos a trabalhar para a unidade nacional, leva-nos a estar mais próximos do Senhor Presidente para com o nosso saber, nossa experiência podermos ajudar naquilo que for necessário”.

Nos dois anos que se seguiram ao fim do seu último mandato como presidente da UNITA, o Presidente João Lourenço não viu em Isaías Samakuva quaisquer “qualidades” que justificassem a sua inclusão entre os conselheiros da República. Se lhe reconhecesse as “qualidades” que segunda-feira lhe atribuiu, por certo que tê-lo-ia entre os seus conselheiros.

Não sendo candidato à sua liderança, Isaías só regressará ao palácio presidencial na qualidade de presidente da UNITA se esta for impedida de realizar o seu XIII congresso até 4 de Dezembro deste ano.

Se não for travada nos seus propósitos, a partir de Dezembro a UNITA terá um líder que não se chamará Isaías Samakuva.

No exercício discricionário das suas escolhas, o Presidente da República pode incluir, no futuro, o actual líder da UNITA na quota de entidades da sociedade civil que integra no Conselho da República.

Foi por certo pensando, já, nessa possibilidade que o Presidente João Lourenço exprimiu o desejo de que Isaías Samakuva tenha regressado ao Conselho da República “para ficar”.

Seja como for, as normas do respeito aos adversários aconselhariam a que o Presidente João Lourenço exprimisse esse desejo de ter Samakuva por perto em outras circunstâncias.

Em política, a declaração do Presidente da República chama-se assédio.