A PROCURADOR FICOU CEGA?

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Situados no lado direito, à entrada da Ilha de Luanda, quase “coladinhos” a passagem aérea, os quatro edifícios gêmeos são, ao que se diz,  propriedade de José Filomeno dos Santos (Zenu), o varão do antigo Presidente da República.

Apesar de insistentes diligências deste portal, nenhuma fonte oficial do Governo Provincial de Luanda aceitou revelar a identidade do proprietário dos imóveis.

De resto,  o próprio  Governo Provincial de Luanda deveria, como faz com a “populaça”, exigir a identificação dos proprietário, empreiteiro, fiscal, número da licença de obra e o seu propósito.  

Com as obras de construção paralisadas desde que houve “mudança de turno” na direcção do país, os quatro edifícios têm se esgueirado entre a sanha de arrestos dirigida pessoalmente pela procuradora Eduarda Rodrigues, directora do Serviço Nacional de Recuperação de Activos da Procuradoria Geral da República.

Se estivessem concluídos, todos os edifícios já teriam sucumbido ao famoso Decreto Presidencial 69/21, também conhecido como Decreto do Dízimo, o qual estabelece que magistrados judiciais e do Ministério Público tomam para si 10% dos “ganhos” da luta anti-corrupção em que estejam devidamente envolvidos.

Se não tivessem sido doados a juízes e procuradores, dada a sua privilegiada localização, os quatro edifícios seriam disputados à “dentada” , seja para acolher  gabinetes de ministros, ou mesmo serviços da Presidência da República.

O ruidoso e sintomático silêncio do SNRA em relação a esses apetitosos edifícios pode significar que alguém pode estar a jogar com o tempo. Ou seja, alguém conta que os prédios saiam do radar público para, depois, lhes dar o devido e sorrateiro destino…

A paralisação das obras e a ausência de sinais de identificação claros sugerem que s construção dos quatro edifícios teve “digitais” de membros do ancien ( e agora execrado) Governo.

Donde, mais uma vez a questão: por quê razão a campeã de arrestos se “cala” perante empreendimentos que se encaixam na perfeição do perfil de obras feitas às custas do dinheiro do povo?