“Carrinho” pressiona “imobiliário” em Benguela

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Os preços de arrendamento e compra de casas nas cidades de Benguela e Lobito subiram em torno de 50%, segundo assegurou ao Correio Angolense um intermediário de nome Ricardo Pereira, que actua de modo informal no mercado imobiliário local.

De acordo com a nossa fonte, a maior subida registada em todo o mercado imobiliário angolano deve-se a uma forte pressão do Grupo Leonor Carrinho, conglomerado empresarial que, devido aos seus diferentes projectos, teve que contratar vários expatriados e alguns nativos procedentes de outras províncias do país, com destaque para Luanda. 

A empresa tem contratado vários expatriados não só de mercados tradicionais como Portugal e Brasil, mas até da Argentina e Uruguai, muitos dos quais trouxeram famílias. Todos os contratados precisam de “tecto” e a “Carrinho” paga o que for necessário por uma casa (arrendamento ou compra) para instalar os seus empregados nas melhores zonas de Benguela e Lobito

“Está a chegar muita gente do exterior do país, principalmente de Portugal, para pôr em marcha os vários negócios do Grupo Carrinho. Mas é muita gente mesmo, inclusive de países como Argentina e Uruguai”, disse Ricardo Pereira para quem “neste momento Benguela praticamente já não tem casas para arrendar e as pouquíssimas que sobraram têm preços proibitivos para a realidade dos benguelenses”.

O interlocutor do Correio Angolense explicou que os preços praticados de há um mês a esta parte são incomportáveis para grande parte de pretendentes singulares a arrendatários. “Um apartamento de três quartos, bem localizado, que antes custava AKZ 100 mil por mês, está agora em AKZ 150 mil. Estes não eram até há pouco tempo os valores do nosso mercado imobiliário. Apenas estão ao alcance de empresas com robustez financeira assinalável”. 

No último ano, negócios de monta caíram no colo do grupo empresarial Carrinho, de forma directa ou interposta em sociedade participada. Um dos mais importantes aconteceu em Outubro último, por via da Gesteca (onde está associada à GemCorp), tendo beneficiado da concessão da gestão da Reserva Estratégica Alimentar (REA) do Estado.

Antes, em Março, beneficiou de uma garantia soberana do Estado angolano no valor de € 56,9 milhões destinados à aquisição de equipamentos para fábricas de óleo alimentar e farinha de soja. Em Agosto recebeu outra garantia do Estado angolano de € 57,4 milhões para a cobertura do contrato de importação de bens e equipamentos para uma fábrica de produção de açúcar, em Benguela. 

Passados dois meses, a Carrinho adquiriu o estatal Banco de Comércio e Indústria (BCI) pela quantia de USD 28,9 milhões, valor considerado por significativas franjas da sociedade como “irrisório” para o expressivo património detido pela instituição bancária.

Nos últimos tempos é a empresa que, a par da Omatapalo, mais tem feito negócios com o Executivo liderado por João Lourenço.