ACJ busca apoio dos EUA para coibir fraude eleitoral

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O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Jr., está desde o princípio desta semana nos Estados Unidos da América (EUA), onde cumpre uma visita de trabalho de aproximadamente uma semana. De acordo com fontes do Correio Angolense, o ponto principal da agenda do líder da Oposição é o auxílio americano às eleições legislativas de Agosto próximo em Angola.

Em princípio, ACJ deverá ser recebido no Departamento de Estado e no encontro vai abordar a necessidade de os EUA se empenharem no processo eleitoral angolano, a fim de evitar eventuais irregularidades no pleito que vai marcar também a eleição do próximo presidente da República de Angola.

O Correio Angolense sabe que ACJ pretende que os EUA tenham um “envolvimento profilático”, de modo a evitar que se chegue ao nível de intervenção que aconteceu na Zâmbia.

Naquele país vizinho, houve eleição presidencial em Agosto passado e, de acordo com fontes diplomáticas locais, os EUA terão intervindo para evitar uma possível fraude que manteria no cargo o anterior presidente da República, Edgar Chagwa Lungu. Fazendo fé nessas fontes, a ameaça de sanções económicas a Edgar Chagwa Lungu e figuras da Comissão Eleitoral levaram a recontagem dos votos, que resultou na eleição do candidato da Oposição, Hakainde Hichilema, líder do Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (PNUD).

Mesmo que na recontagem dos votos o candidato da situação fosse declarado vencedor, os EUA estariam na disposição de não reconhecer os resultados. Isto porque, no seu entendimento, ao longo da campanha eleitoral houve manipulação da comunicação social a favor do candidato-presidente. Outra razão que levaria ao não reconhecimento era o alegado controlo da Comissão Eleitoral pela Frente Patriótica, partido do governo. 

Fontes familiarizadas com o tema asseguraram ao Correio Angolense que o presidente da UNITA pretende que os EUA ajudem a “cortar o mal pela raiz”, no que provavelmente terá sucesso. E há já algum tempo os americanos vêm dando sinais de que, de uma forma ou de outra, deixarão as suas impressões digitais nas eleições de Angola, em Agosto próximo. 

Um dos sinais foi a nomeação de um novo embaixador em Angola, nas circunstância Tulinabo Salama Mushingi, que rende Nina Maria Fite. O novo chefe da missão diplomática americana em Angola, um cidadão de origem congolesa, é tido pela newsletter África Monitor como “um indivíduo especialmente sensível a ‘perversões’ como opressão política, a má governação e a pobreza extrema”.

Outro sinal nada desprezível foi o anúncio a 24 de Janeiro último de que o Departamento de Estado dos EUA tem disponíveis USD 2,5 milhões para apoiar iniciativas ou projectos que promovam eleições livres e justas em Angola. O facto foi noticiado em primeira “mão” pelo Correio Angolense a 26 de Janeiro.

Designada “Apoiar um Ambiente Eleitoral Local Credível em Angola”, a é do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado. A mesma visa a abertura de concurso, através do qual podem candidatar-se aos fundos do programa as organizações que apresentem projectos que apoiem eleições transparentes e promovam “reformas eleitorais inclusivas”. Ao fazê-lo, os EUA dizem pretender “eleições credíveis em Angola que contribuam para a abertura democrática e um amplo envolvimento das partes interessadas” numa plena reforma eleitoral.