Sobrinho diz-se “descapitalizado”…

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O banqueiro Álvaro Sobrinho arrisca mesmo uma prisão preventiva de longos meses porque diz-se incapaz de pagar a caução imposta pela justiça lusa.

Na quinta-feira passada, 17, e depois de ser demoradamente ouvido primeiro no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e, depois, no Tribunal Central de Instrução Criminal, a Álvaro Sobrinho  o juiz Carlos Alexandre determinou a caução de 6 milhões de euros para aguardar em liberdade o julgamento, que deve ter inicio em Setembro.

Trata-se da mais elevada caução jamais estabelecida em Portugal.

Ao antigo homem forte do Banco Espírito Santo Angola (BESA), o juiz Carlos Alexandre estabeleceu o prazo de 10 dias para depositar a milionária caução. Esgotado o prazo, será imediatamente recolhido aos calabouços da Polícia. 

Segunda-feira, a rádio TSF citou advogados do banqueiro como tendo dito que ele não tem dinheiro para pagar a milionária caução.

Álvaro Sobrinho terá instruídos os advogados para comunicarem ao juiz Carlos Alexandre a sua incapacidade de fazer face à elevada verba.

Com certeza que ele quer testar a firmeza do sistema judicial português. Mas, contrariamente ao que se passa em Angola, onde um simples telefonema pode decidir tudo, aqui em Portugal ou ele paga a caução ou entra na choça. Aqui não há meios termos”, conforme comentou àquela estação radiofónica um ouvinte.

Segundo entendidos, a caução aplicada a Álvaro Sobrinho levou em conta o elevado património imobiliário que ele possui e muitos outros bens. 

No Estoril-Sol, um dos mais luxuosos condomínios de Lisboa, Álvaro Sobrinho tem seis apartamentos, todos eles comprados de uma só vez. Além disso, é accionista da SAD sportinguista e tem interesses em vários grupos de media portugueses. 

 Além da milionária caução, o juiz de instrução Carlos Alexandre limitou os movimentos do antigo gestor do falido Banco Espírito Santo Angola (BESA) aos 26 países que compõem o chamado Espaço Schengen (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polónia, Portugal, República Checa, República Eslovaca, Suécia e Suíça) para prevenir qualquer tentativa de fuga à justiça.

As medidas de caução aplicadas a Álvaro Sobrinho incluem o arresto de bens imóveis.

Muito próximo de círculos do poder em Angola, em Portugal Álvaro Sobrinho responde em diferentes casos, mas a semana passada foi especificamente interrogado sobre o  processo em que é suspeito de haver burlado o BESA na concessão de empréstimos milionários a terceiros, alegados testas de ferro, tendo os milhões em causa acabado em contas controladas por ele próprio. 

O DCIAP suspeita que Sobrinho foi o beneficiário efectivo de três empresas angolanas que receberam 352 milhões de euros do banco de forma injustificada. Ele teria ainda recebido, através de duas sociedades offshore, mais 148 milhões de euros – o que eleva a pretensa burla para um total de 500 milhões.

De acordo com as investigações, entre 2009 e 2013 o BESA, liderado por Álvaro Sobrinho concedeu, de forma irregular, empréstimos de 6,8 mil milhões de dólares.

Aos investigadores do DCIAP, Sobrinho sempre alegou que os empréstimos do BESA cobriram um “amplo espectro” de cidadãos angolanos, nomeadamente Marta dos Santos, irmã do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, e altos dirigentes do MPLA.  

 O novo interrogatório de Sobrinho é classificado como complementar e será o último. O ex-líder do BESA foi confrontado com novos indícios recolhidos desde o seu primeiro interrogatório e deverá ser acusado até Setembro.    

Com os movimentos restringidos ao Espaço Schengen, Álvaro Sobrinho não voltará tão cedo a Angola e nem ir às Ilhas Maurícias, onde tem muitos interesses. 

Na próxima semana já se saberá até onde Álvaro Sobrinho levará o teste à seriedade da justiça portuguesa.

“No dia 24 de Novembro de 2014 quando teve a prisão preventiva decretada, o antigo primeiro-ministro José Sócrates pensava que o assunto se resolveria  em horas. Mas a verdade é que a prisão preventiva estendeu-se por longos 11 meses. O Álvaro Sobrinho não conte com um tratamento diferenciado. Ou paga o que foi estipulado ou vai mesmo para a cadeia”, alertou outro ouvinte da TSF.