Polícia garante: “Simione” não foi roubado

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A Polícia Nacional e o SIC negam que a embarcação Simione, recentemente  apreendida em Espanha, estivesse sob custódia da Polícia Fiscal Aduaneira quando deixou os “espaços marítimos sob soberania do Estado angolano”.

Na quinta-feira, 12, o jornal digital istoenoticia revelou que Navio pesqueiro angolano furtado na unidade da Polícia Fiscal foi capturado em Espanha com 3.3 toneladas de cocaína.

Segundo esse jornal, “um navio de pesca por arrasto de bandeira nacional, baptizado com o nome de ‘Simione’ — dado como ‘furtado’ em Novembro do ano passado, quando se encontrava sob a protecção da Polícia Fiscal angolana —, foi capturado pela Guarda Civil de Espanha, nas Ilhas Canárias, com 3.300 quilos de cocaína no convés.

Depois de ter cumprido um longo itinerário de perto de 3.500 milhas náuticas — entre Luanda, Gabão, Senegal e Espanha, portos onde a embarcação pesqueira chegou a atracar —, o Simione acabou fretado no Senegal, por uma organização galega ligada ao narcotráfico, com a finalidade de o enviar para um ponto indeterminado do Atlântico, como se fosse uma das centenas de barcos pesqueiros galegos”.

Num comunicado datado de 13 de Janeiro, a Polícia Nacional e o Serviço de Investigação Criminal garantem que o “navio não foi furtado e nunca esteve sob custódia da Polícia Fiscal Aduaneira, pois não impendia sobre o mesmo nenhuma interdição de saída dos espaços marítimos” angolanos.

Segundo o documento, a embarcação “saiu dos espaços marítimos sob soberania e jurisdição do Estado angolano cumprindo com todas as formalidades e procedimentos legais, com as devidas autorizações dos órgãos competentes”.

O jornal istoenoticia sublinha que além “de se tratar de uma embarcação furtada em Angola, uma outra coincidência que salta à vista é o facto de a quantidade de cocaína apreendida no navio Simione, nas Ilhas Canárias, assemelhar-se à capturada pelo SIC, no Porto de Luanda, em Setembro de 2022, e cujo destino até hoje as autoridades angolanas não souberam explicar publicamente”.

O jornal alude a 3.3 toneladas de cocaína.

 A Polícia e o SIC  negam qualquer coincidência entre um e outro caso, sublinhando que a “situação que envolve o navio Simione não tem qualquer relação com o processo referente à apreensão de 164 Kg de droga do tipo cocaína, no porto de Luanda, em Agosto de 2022 e que já foi incinerada no dia 24 de Novembro do mesmo ano, em acto presenciado por Magistrados do Ministério Público”.

É a primeira vez que Polícia e SIC quebram o tabu sobre o destino dado àquela droga apreendida no porto de Luanda.

O comunicado conjunto não explica, porém, a ausência da comunicação social no acto de incineração da referida droga.

Habitualmente, Polícia e SIC fazem imenso alarido em torno da incineração de liamba ou de destruição de alambiques de bebidas alcoólicas de amplo consumo nos meios rurais.

No comunicado, Polícia e SIC comprometem-se a manter “informado o cidadão sobre toda e qualquer situação que envolva ambas instituições e os seus efectivos”.

Com esse compromisso, PN e SIC dão aos angolanos a garantia de que serão mantidos informados sobre questões como, por exemplo, as denúncias pretensamente envolvendo membros das duas instituições com o tráfico de drogas.

É que, como ensina a sabedoria popular, promessa é dívida.