“Artur Nunes” juntou-se à encenação

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Encharcado” em denúncias de práticas que dão dele a imagem de um delinquente contumaz, o presidente do Tribunal de Supremo esforçar-se por dar de si próprio e da Corte a impressão de total e perfeita normalidade.

Na sexta-feira, pouco depois de nove juízes conselheiros do Tribunal Supremo haverem remetido ao Presidente da República uma deliberação, tomada no mesmo dia, em que exigem   o afastamento de Joel Leonardo da presidência da Corte em virtude dos factos criminosos que lhe vêm sendo imputados, o brigadeiro da Caconda protagonizou um acto que sugere total normalidade no funcionamento da instituição.

Com o calculado propósito de fortalecer a sua retaguarda, na sexta-feira Joel Leonardo nomeou e deu posse a funcionários do Tribunal Supremo, um acto que, em instituições que funcionam com normalidade, raramente transcende as quatro paredes da casa.

Na manobra de sexta-feira, Joel Leonardo exibiu uma faceta que poucos lhe conheciam: a de ilusionista.

À primeira vista, a quantidade de despachos, 14, sugere uma profunda movimentação de funcionários. Mas, na verdade, tratou-se de mera troca de cadeiras.

No universo dos oito nomeados, há, apenas, duas caras novas. Tudo o resto foi uma troca de lugares. Joel Leonardo reposicionou as pedras tendo em vista já os dias difíceis que se aproximam velozmente.

Muitos, ou provavelmente todos, os funcionários movimentados serão arrolados como suas testemunhas de defesa no processo a que, mais dia menos dia, será chamado a responder na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) da Procuradoria Geral da República.  

Convocado ao Supremo para representar o Ministério Público num julgamento que Joel Leonardo não tinha nenhum propósito de realizar, o (ainda) vice-procurador geral da República, Mota Liz, viu-se, involuntariamente, a prestigiar a comédia que o brigadeiro montou.

No final da cerimónia, foram atribuídos a Mota Liz, também conhecido como Artur Nunes, (por razões óbvias…) desabafos de como teria sido usado para emprestar alguma seriedade a uma cerimónia com que o presidente do Tribunal Supremo visou, indiscutivelmente, disfarçar o clima de cortar à faca que se vive na Corte.

“Fui usado, fui usado”, rosnou repetidamente a réplica do imortal Artur Nunes.

De acordo com o portal Club-K, alguns dos indivíduos exonerados e de seguida nomeados são parentes directos de Joel Leonardo.

Com o que fica provado que o homem da Caconda é, no quesito do cabritismo, absolutamente imbatível…