HI FLY, o negócio das arábias

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Não foi por falta de aviões que a TAAG recorreu a aeronaves da HI FLY. 

Também não foi por falta de manutenção dos seus B 777 300 ER que a TAAG  fez recurso ao A 300 da HI FLY.

Em 2021, sob o pretexto de que o transporte de carga é que estava  a “dar”, já que o fluxo de passageiros foi seriamente afetado pela Covid, a nova administração da TAAG enviou à Etiópia, para serem convertidos em cargueiros, as suas duas mais recentes unidades da construtora norte-americana, os B 777 300 ER. Eram essas aeronaves que faziam as principais rotas internacionais da TAAG, nomeadamente, Luanda/Lisboa/Luanda, a mais rentável e a de maior ocupação de todas.

A conversão em cargueiros das duas principais unidades de passageiros da TAAG foi feita com o deliberado propósito de abrir espaço para a entrada de aeronaves da HI FLY. 

Foi coisa pensada com “cabeça, troncos e membros”, como diria um antigo dirigente do MPLA.

Não é sem razão que, podendo operar a rota Luanda/SP/Luanda ou Luanda/Windhoek/Luanda e outras de menores ganhos, foi entregue de bandeja à HI FLY a mais lucrativa de todas as ligações internacionais da nossa companhia.

Nada foi feito por acaso.

A HI FLY substituiu a TAAG na rota de Lisboa ao abrigo de um contrato cuja duração seria de três meses. 

Esgotados os três meses, o tempo de vida do contrato foi esticado para até Setembro deste ano.

O anúncio agora feito pela presidente do Conselho de Administração da TAAG, Eliza Major (na foto), da redução gradual da presença da HI FLY na vida da empresa angolana pode, em tese, configurar uma violação do contrato. 

No mundo da aviação civil, a quebra de contratos implica pesadas indemnizações.

Ou seja, além de operar a mais lucrativa rota da companhia aérea angolana, com os dividendos dali decorrentes e de causar danos à reputação da TAAG e transtornos aos seus clientes em Lisboa, a HI FLY sairá do “casamento” com os bolsos abarrotados. 

Às declarações da figura decorativa que é a PCA da TAAG ajustam-se a máxima segundo a qual casa roubada trancas à porta.

Mas, enfim, como também diz a sabedoria popular, mais vale tarde do que nunca.

À TAAG sobrará o fardo de suportar a reconversão dos seus aviões e a recuperação de toda a sua frota, precocemente mandada para os estaleiros por manutenção que não foi feita propositadamente.

É mesmo caso para dizer que o contrato que entregou a direcção executiva da TAAG ao espanhol Eduardo Fairen Sori foi mesmo um negócio das arábias para a HI FLY, com evidentes reflexos nos bolsos de uns poucos angolanos.

Com a iminente ruptura com a HI FLY há que começar já a pensar no pós-Eduardo Sori. 

Há que começar a  pensar no refrescamento dos técnicos de manutenção aeronáutica, nos PNT E PNC, enfim, há pensar num novo sopro de vida à nossa companhia de bandeira. 

Mas, é também importante, muito importante, que os angolanos conheçam a identidade de quem, além do Estado, o único que paga a conta, se oculta por detrás da Sociedade Anónima em que a nossa antiga EP foi transformada.