Sem máscara

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De acordo com fontes que a Rádio Nacional de Angola não citou, presumem-se as razões -, a  UNITA pôs em marcha um plano para incitar a desordem constitucional, a pretexto de manifestações convocadas supostamente por organizações da sociedade civil.

“As fontes oficiais da Rádio Nacional de Angola dizem não ter dúvidas de que foi a UNITA e o seu presidente Adalberto Costa Júnior, quem organizou e financiou os actos deste sábado”, disse a rádio-papagaio.

Algumas observações a propósito da “notícia” da rádio-papagaio:

a)    O “sistema” procura sempre na cabeça do próxima as causas dos piolhos que lhe infestam a cabeça. 

b)    Atribuir à UNITA a organização e financiamento de toda e qualquer manifestação popular contra determinado acto do Governo não apenas expõe a obsessão do “sistema” ao principal partido da oposição, como também toma todos os angolanos como um obediente rebanho de ovelhas que segue indistintamente toda e qualquer orientação emanada pelo partido do Galo Negro.

c)     Os estômagos dos angolanos só reclamam de fome quando a UNITA os acciona.

d)    O aumento do custo de vida só afecta militantes e simpatizantes da UNITA?

e)    Agora que a caixa da pandora está aberta, as principais unidades da Polícia, FAA e da Guarda Presidencial não mais poderão arredar os pés das ruas, sob pena de elas serem tomadas por manifestantes manipulados pela UNITA.

As imagens  da Polícia angolana despejando botijas de gas lacrimogéneo sobre manifestantes que exibiam apenas cartazes exigindo a redução de preços da cesta alimentar básica e contestando o levantamento das subvenções ao gasóleo correram o mundo todo.  Até mesmo as cadeias televisivas portuguesas financiadas por Angola não conseguiram escamotear a barbárie da Polícia angolana.

Habitualmente condescendentes com João Lourenço, por causa dos muitos milhões que Isabel dos Santos plantou em Portugal e as autoridades lusas deles se acapararam, até mesmo o presidente português Marcelo rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa terão acrescidas dificuldades de defender junto dos seus pares europeus um regime que lida com o seu povo com balas, barras de ferro, cães de ataque e cavalos. 

Donde, se lhe sobrar alguma vergonha na cara, sempre que se deslocar ao estrangeiro, nomeadamente a países ocidentais, coisa que, como sabemos, faz com frequência incomum num Chefe de Estado, deverá evitar qualificar Angola como um Estado Democrático de Direito, sob pena de causar vômitos ou aos anfitriões ou arrancar-lhes sonoras gargalhadas de escárnio.

Em países de Direito Democrático, manifestações até são barómetros a através dos quais os Governos corrigem, desistem ou ajustam as suas políticas públicas.

Um país, como o que é dirigido por João Lourenço, não deveria ousar enfiar Angola entre os países guiados pelo primado da lei.

O pavor que lhe provoca qualquer manifestação, desta vez levou o Governo de João Lourenço a agir sem máscaras