A visita de Lula
e as expectativas do Governo

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O Presidente da República Federativa do Brasil visita Angola nos dias 25 e 26 deste mês. 

A deslocação de Luís Inácio “Lula” da Silva a Luanda está entalada entre a sua participação na  cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul) que decorre em Joanesburgo entre 22 e 24 de agosto e a XIV Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a ter lugar no dia 27 em São Tomé e Príncipe.

A expectativa com que as autoridades angolanas aguardam a primeira visita a Angola do Presidente do Brasil no mandato de João Lourenço pode ser imoderada.

Conhecido pela sua independência e frontalidade, Lula da Silva não costuma valorizar a sua condição de visitante para dizer publicamente o que lhe vai na alma.

Mundialmente famoso pela sua cruzada contra a fome e as desigualdades sociais, não é expectável que, em Luanda, Lula se desdobre em encómios ao descaso do Governo de João Lourenço para com os menos favorecidos.

A fome em Angola – e disso Lula seguramente está informado – bate à porta de quase 90% da população. Mesmo nos principais centros urbanos, são raras as famílias que conseguem fazer as três refeições diárias que a Organização Mundial da Saúde recomenda.

Também não é expectável que Lula da Silva se derreta em elogios a dito combate à corrupção, que tem alvos específicos, ou, ainda, à forma como o Governo de João Lourenço lidou com o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, de quem o estadista brasileiro era amigo.

A última vez que esteve no nosso continente, Lula da Silva qualificou a cidade de Windhoek como a mais limpa de África, numa implícita alusão à capital angolana, onde acabara de sair.

Durante a curta passagem de Lula por Luanda, os governos de Angola e do Brasil deverão assinar vários acordos de cooperação nas áreas do Turismo sustentável e da Defesa, nomeadamente, a formação e capacitação de tropas angolanas, para integrarem as forças de intervenção rápida das Nações Unidas.

Alinhado às posições do Ocidente em relação ao conflito russo-ucraniano, João Lourenço certamente ouvirá de Lula da Silva posição contrária.

No dia 1 de Janeiro, quando foi a Brasília para a posse de Lula da Silva, João Lourenço deixou a capital federal do Brasil amuado porque a agenda muito apertada do anfitrião não lhe permitiu um encontro a sós.

Além do contratempo protocolar, João Lourenço soube que parte do seu staff de segurança envolveu-se em pancadaria com activistas angolanos residentes no Brasil.