A COBERTURA DOS SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES EM ANGOLA

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Nas conversas diárias, tornou-se muito frequente ouvir-se falar das debilidades em termo de funcionamento das redes dos operadores de telecomunicações, pelo facto dos serviços por estes prestados gorarem as expectativas dos utentes.

Hoje em dia, na era da tecnologia, não é possível imaginar a vida quotidiana de qualquer cidadão, instituições estatais e privadas sem os serviços de telecomunicações, nas suas mais diversas vertentes. Num país com as dimensões de Angola, as telecomunicações são de fundamental importância.

A falta de cobertura das redes dos operadores nacionais, em muitas áreas do país, é a principal reclamação dos utentes contra todas as operadoras do país.  Entre os problemas mais citados estão a dificuldade para acessar à internet. Na internet existem várias redes conectadas como empresas públicas e privadas, instituições governamentais e de ensino, etc. Através da internet os utentes têm acesso aos serviços de e-mail, às instituições bancárias, desenvolvendo actividades comerciais e financeiras, realizando transações de pagamento, contribuindo, desta forma, no desenvolvimento do comércio nacional e internacional, fazem downloads, procuram informações dentre muitos outros serviços.

A falta de cobertura das redes dos operadores é sentida em muitas áreas e, principalmente, quando se viaja por via terrestre pelo país. Encontramos ainda muitas zonas cinzentas, ou seja, zonas em que não nos conseguimos comunicar por falta de cobertura. 

É necessário que as operadoras realizem frequentemente testes de monitoramento das suas redes para que tenham os dados reais do comportamento das mesmas, de forma a identificarem as áreas cinzentas ou de sombra e trabalhar para as melhorias que se impõem.

Portanto, é imprescindível que os operadores tenham nos seus programas de desenvolvimento, acções de investimentos para a melhoria da sua cobertura, visando ultrapassar estas lacunas nas suas redes, garantindo assim a expansão das áreas e trechos rodoviários cobertos, o que irá permitir, por exemplo, ao CISP – Centro Integrado de Segurança Pública contribuir para um melhor controlo da sinistralidade nos principais trechos rodoviários do país, prevenir actividade ilícita e proporcionar tranquilidade às populações. Vai permitir, igualmente, melhorar a prestação das entidades que supervisionam o tráfego rodoviário e apoio à sinistralidade rodoviária, tais como a polícia de trânsito e o Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA), melhorando a prontidão destas para eventuais situações de emergência, para além deste facto se reflectir na satisfação dos utentes e obviamente nas receitas das empresas. 

É obrigação de todas os operadores garantir o acesso aos serviços de telecomunicações com qualidade aceitável, ali onde existem consumidores.

O acesso aos serviços de telecomunicações é garantido através de meios tecnológicos. Por isso, é necessário que os operadores garantam os sistemas tecnológicos que permitam o acesso dos utentes aos diferentes serviços. Para tal, não podemos descurar a importância que jogam os meios de transmissão, no caso a fibra óptica e o satélite. 

A fibra óptica, como tecnologia de transmissão de dados em alta velocidade, deve ser mais aproveitada no mercado pelos provedores de internet devido às suas inúmeras vantagens em relação a outras formas de conexão. Uma das maiores vantagens da fibra óptica é a velocidade de transmissão. Ela pode transferir dados mais rapidamente, permitindo downloads e uploads mais rápidos e streaming de vídeo.

Outra grande vantagem da fibra óptica é que ela proporciona uma conexão mais confiável e estável. A fibra óptica é imune à interferência eletromagnética, o que significa que há muito menos quedas de sinal.

É necessário que os operadores cooperem mais entre si, no sentido de tirarem proveito de um instrumento legal sobre a partilha de infraestruturas. O Decreto Presidencial n.º 166/14, aprova o Regulamento de Partilha de Infraestruturas de Comunicações Electrónicas e revoga toda a legislação que contrarie o disposto no presente Diploma. Desta forma, é possível chegar a diferentes pontos do país usando a infraestrutura de um outro operador na base do decreto acima referenciado, assegurando uma melhor relação de preço e qualidade para o consumidor final.

O satélite angolano de telecomunicações Angost-2 está dotado de uma alta taxa de transmissão de dados, que assegura toda cobertura do continente africano e parte da Europa. Uma das vantagens do Angosat-2 é a grande cobertura da área geográfica e vai contribuir consideravelmente para a diminuição da infoexclusão em Angola e no continente africano.

O ANGOSAT-2 foi lançado no dia 12 de Outubro e está em órbita. O satélite foi enviado a partir do Cosmódromo de Baikanur, no Cazaquistão. Ele permite levar os serviços de telecomunicações para os locais mais recônditos do país, ali onde não chegam os cabos de telecomunicações, reduzir a exclusão digital e melhorar o sinal de telecomunicações nas zonas mais remotas de Angola, do continente e parte do sul da Europa. O satélite angolano Angosat-2 é uma grande oportunidade para expansão dos serviços de telecomunicações via satélite, suporte à telemedicina, cultura e educação. Na medicina, utilizam-se as novas tecnologias para desenvolver alternativas que salvem a vida de muitas pessoas. Na cultura, são utilizadas as novas tecnologias para que as pessoas possam pesquisar informações importantes e na educação possibilita a implementação do ensino à distância, uma modalidade de educação mediada por tecnologias em que discentes e docentes estão separados espacial e/ou temporalmente, ou seja, não estão fisicamente presentes em um ambiente presencial de ensino-aprendizagem. 

É necessário que os operadores façam uso desta imponente infraestrutura e tirem o maior proveito dela, de forma a que os utentes dos serviços de telecomunicações nas áreas remotas, ali onde não chegam os cabos de telecomunicações, sintam de facto os benefícios do nosso satélite. 

É necessário que as operadoras garantam cobertura dos seus serviços numa proporção de 80%, pelo menos, nas áreas urbanas.

Alguns factores concorrem para a melhoria da cobertura dos serviços de telecomunicações. Tal é o caso, sem dúvida, dos investimentos nos diferentes sistemas e infraestruturas de telecomunicações. Um outro factor muito importante e que tem impactado negativamente nos custos operacionais dos operadores é, sem dúvida, a falta de energia eléctrica da rede pública nos sites. Grande parte dos sites remotos, fora das localidades, funcionam com recurso a sistemas alternativos com geradores a diesel. O abastecimento de diesel tem um impacto significativo nos custos operacionais das empresas de telecomunicações, e desta forma não se espera o impacto desejado sobre a qualidade e preços praticados no mercado.

A energia eléctrica tem um papel fundamental no crescimento económico e desenvolvimento do país. É impossível imaginar a vida sem energia elétrica. Ela está presente em todas as esferas da actividade humana: indústria,  agricultura, ciência e no nosso quotidiano. Portanto, o sector da energia eléctrica tem de fazer investimentos de forma a cobrir também as zonas remotas do país, não só pelas telecomunicações, mas pela base do nosso desenvolvimento, a agricultura para que os investidores possam chegar aos campos férteis das zonas mais recônditas do país.  

A União Internacional de Telecomunicações, UIT, promove conectividade universal às tecnologias de informação e comunicação como condição para o desenvolvimento sustentável.