EUA defendem governos que promovam a paz

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Os Estados Unidos da América (EUA) estão empenhados em apoiar políticas integrais de governo que promovam a paz, a segurança e a governação democrática em conjunto.

A posição foi manifestada esta quarta-feira, 27, pelo secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, durante um pronunciamento publico no Arquivo Nacional de Angola, após audiências separadas, à porta fechada, com o presidente João Lourenço e com o secretário de Estado da Defesa para a Indústria Militar, Afonso Carlos Neto.

“Isto é especialmente importante neste momento de profundo desafio para a democracia em África.Em todo o continente, temos visto autocratas a comprometer eleições livres e justas e a impedir transições pacíficas de poder”, lembrou.

Para o governante americano, “quando os generais anulam a vontade do povo e colocam as suas próprias ambições acima do Estado de Direito, a segurança sofre e a democracia morre”. Por isso, defendeu a aplicação da estratégia da administração Biden para a África Subsariana, segundo a qual “Forças Armadas e outras forças de segurança eficazes, legítimas e responsáveis são essenciais para apoiar sociedades abertas, democráticas e resilientes e para combater ameaças desestabilizadoras.”

E acrescentou: “As Forças Armadas existem para defender o seu povo, não para o desafiar. E África precisa de forças armadas que sirvam os seus cidadãos – e não o contrário”. De acordo com Lloyd Austin, este continuará a ser um princípio fundamental do envolvimento da América com os seusparceiros africanos.

Assegurou que por esta razão, os EUA continuarão a investir em Forças Armadas profissionais e lideradas por civis. “Trabalharemos em conjunto para aprofundar as normas contra o derrube de governos democráticos”, prometeu para depois garantir que o seu país será franco com os seus parceiros “quando as suas instituições de segurança não cumprirem essas normas universais”.

O governante reconhece que esta opção não é fácil, mas é “o melhor e mais curto caminho para uma paz e prosperidade duradouras. É o caminho que milhões de homens e mulheres de todo este continente escolheram livremente. E os Estados Unidos orgulham-se de estar ao lado de todos aqueles que procuram governos livres, abertos e democráticos em África”.

Historiando um pouco sobre os laços entre ambos os países, Lloyd Austin lembrou que “a primeira ligação entre os Estados Unidos e Angola foi o tráfico de escravos”, quando “há quatro séculos, traficantes de escravos vindos de muito longe algemaram homens, mulheres e crianças deste país – pessoas que se pareciam consigo e comigo”.

Na sequência falou em “horrores da escravatura” que “farão sempre parte da história comum” que nunca deve se esquecida. “Hoje, os nossos países estão unidos de formas muito diferentes – e pelo nosso sonho comum de um futuro brilhante que pode ajudar a curar a agonia do passado. Hoje, o oceano que outrora transportou pessoas desesperadas e escravizadas de Angola para a América tornou-se uma bacia de cooperação pacífica”, revelou.

Prova disso mesmo, de acordo com o visitante americano, é que no ano passado, os Estados Unidos e Angola foram dois dos 18 países que assinaram a Declaração Conjunta sobre a Cooperação Atlântica, documento que atesta o empenhamento comum numa vasta região de direito, conservação e paz.

Para o secretário de Defesa dos EUA “Angola tornou-se um parceiro altamente estimado e altamente apto para os Estados Unidos – é um líder em ascensão na região e além”, pelo que os EUA estão a aprofundar a cooperação com o Governo angolano na modernização militar, formação, segurança marítima e prontidão médica.

“Estamos empenhados em trabalhar unidos ainda mais estreitamente na manutenção da Paz,Alterações Climáticas, Inteligência, Cooperação Espacial e mais. Daí, estar presente em Angola para reforçar essa parceria sólida e igualitária”, assegurou.

Lloyd Austin iniciou o périplo por África domingo último, 24, tendo o Djibuti como primeiro pouso. Seguiu-se o Quénia, de onde saiu esta terça-feira, 26, para iniciar a visita a Angola. Esta é a primeira vez que o governante americano esteve no continente africano.