Breves notas sobre o conflito Israelo- palestino

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Sempre pareceu que a questão da invasão  da Ucrânia pela Rússia não se trata, em primeira análise, de uma questão de Ocidente versus Oriente.
E, tal como agora, na questão Israel versus Hamas, o que se perfila como valor maior é a questão de justiça. E é, coincidentemente, Elie (Elias) Weisel, Nobel da Paz, que afirmou certa vez que “o silêncio incentiva o verdugo.” Weisel é judeu .

A Rússia e Israel não diferem quanto a isso. O primeiro simplesmente veta todas as resoluções da ONU desfavoráveis e o segundo simplesmente as desrespeita. Fazem da ONU uma bola.
A Ucrânia, que, no caso do conflito do Médio-Oriente, está do lado do opressor, e a Rússia que está do lado do oprimido. No caso da Ucrânia, a conclusão poderá, porventura, ser esforçada.  Zelenski é descendente de judeus.
E reside neste ligação a origem da sua solidariedade, mas não é por si só indicativo de que está do lado certo da história e muito menos que os ucranianos aceitam e apoiam Israel.
No limite da análise deste conflito no Médio -Oriente é razoável que se aponte o dedo a dois protagonistas, diga-se, na sombra: os imãs do  Irão e os khalifas da Arábia Saudita.
E é curioso que a maior parte da população islâmica não esteja num destes países, mas na Indonésia. Por volta de 202 milhões de indivíduos.
A própria Mesopotâmia de Abraão não era só habitada por seus descendentes e ascendentes. Com a destruição das suas cidades mais importantes, todos habitantes dispersaram e procuraram outras paragens. Até Canaã.
Quem chegou primeiro a Canaã (Palestina), a “terra prometida” ? A partir daqui abre-se um enorme debate antropológico que perdura até aos dias de hoje.
E não se baseia apenas na Tora ou no Corão: abarca a arqueologia e outros aspectos da cultura e costumes de muçulmanos e judeus. Assim como nem todos israelitas são judeus, nem todos árabes são sunitas. Existem os xiitas.
E se por detrás da ousada operação militar do Hamas em território israelita estiver o Irão, e parece óbvio que sim, foi aparentemente bem pensada.
O Hamas é só o ponta de lança. Neste momento, a Arábia Saudita,  que estava prestes a selar um “armistício” com Israel(com mediação dos EUA), vê-se obrigada a repudia-lo e manifestar solidariedade à Palestina.
A coincidência desta operação do Hamas com a celebração, por Israel, da vitória da guerra do Yom Kipur(Outubro de 1973) joga a favor da máquina propagandistica do primeiro.
Mas, uma última nota, Israel tem um exército infinitamente maior (em número) do que o seu oponente e armamento sofisticadíssimo. E o Hamas sucumbirá, presume-se, mais cedo do que se espera nos círculos dos seus aliados, incluindo aí o Hezbollah, no Líbano. O próximo actrativo para o exercício israelense.