Risco de greve ainda paira sobre a RNA

595

O líder do núcleo do Sindicato de Jornalistas de Angola da estação pública de rádio tem estado algumas vezes ausente da capital, em digressão pelas províncias do país para dar os resultados da negociações com a administração de Marcos Lopes, mas os seus correligionários já disseram que com Africano Neto presente ou ausente, a greve sairá se o Conselho de Administração não satisfizer em pelo menos 40% as exigências dos trabalhadores

Esta quarta-feira próxima, 28, um dia após o pagamento do ordenado do mês de Agosto aos trabalhadores, o núcleo do Sindicato dos Jornalistas da Rádio Nacional de Angola (RNA) volta a reunir-se para avaliar o estado de satisfação das exigências apresentadas no caderno reivindicativo dado ao Conselho de Administração do grupo radiofónico estatal, o maior do país, com mais de três dezenas de rádios.

A informação foi dada ao Correio Angolense por fonte da RNA, segundo a qual a reunião pretende tomar “medidas cabíveis” na eventualidade de as suas reclamações não serem cumpridas. Entre as exigências, estão o regresso ao trabalho dos radialistas Amílcar Xavier e Mara Dalva, demitidos compulsivamente por alegada incompatibilidade.

“O afastamento desses companheiros foi objectivamente determinado pela má-fé da actual Administração. Não há incompatibilidade nenhuma entre o que o Amílcar e a Mara fazem nas televisões e na rádio. Não são órgãos concorrentes. Temos o caso da administradora para a área de conteúdos, Paula Simons, cuja voz se ouve no call-center do Banco Angolano de Investimento (BAI). A mesma Paula Simons faz programas, quando não deveria. Entretanto, nada lhe acontece, ao contrário dos nossos colegas que só querem ganhar um pouco mais”, disse a nossa fonte.

Paula Simons, administradora para Conteúdos do Grupo RNA

O caderno reivindicativo do núcleo do SJA na RNA tem 10 pontos, um dos quais o aumento do salário. A obrigatoriedade de declaração das receitas de publicidade a cada três meses, assim como a reposição do transporte para os trabalhadores são algumas das principais exigências. “A questão do transporte não está ainda totalmente resolvida. Há trabalhadores que são deixados praticamente a meio do caminho de casa, por sua conta e risco, depois de saírem do serviço de madrugada ou tarde da noite”, sublinhou um membro do núcleo.

Na eventualidade de o grau de satisfação das exigências estar abaixo dos 40%, o núcleo poderá novamente lançar mão da greve. “Apesar de não reconhecermos honestidade bastante no senhor Marcos Lopes, demos-lhe o benefício da dúvida e negociamos, fazendo concessões. A bola agora está do lado do Conselho de Administração. Estamos fartos de humilhações. Se não cumprirem, materializaremos a greve”, disse o membro do núcleo que falou ao nosso sítio.

Correio Angolense sabe que o coordenador do núcleo do SJA na RNA, Africano Neto, tem viajado frequentemente para fora de Luanda, em digressão pelas provinciais, a fim de informar aos trabalhadores das emissoras regionais e provinciais dos passos dados nas negociações com o Conselho de Administração presidido por Carlos Lopes. O líder já esteve ausente da reunião anterior do núcleo, realizada a 6 do corrente mês e, devido a essas viagens, poderá faltar também à reunião desta quarta-feira próxima, 28.