Adidos “pendurados” por suposta falta de dinheiro

202

Famílias inteiras desesperam pela viagem que nunca mais chega, apesar de os respectivos chefes serem nomeados adidos de imprensa em embaixadas de Angola, sem salário, sobretudo aqueles que saíram de uma missão para a outra e não voltaram a trabalhar nos OCS donde procederam. Planos destruídos, expectativas frustradas, dívidas a subir em flecha este é o cenário de algumas famílias de adidos de imprensa nomeados há quase um ano e que até agora não seguiram e não trabalham!… 

Pelo menos uma dezena de adidos de imprensa para servir as embaixadas de Angola no exterior continuam pendurados, em Luanda, por alegada falta de dinheiro, apesar de terem sido nomeados há já quase um ano. Salvo raríssimas excepções (os que enquanto esperam, trabalham nos órgãos de comunicação donde procederam), a maior parte está sem ordenados desde que foram exonerados dos anteriores postos.

A demora na partida dos adidos de imprensa para os respectivos postos terá que ver com falta de verbas nas missões diplomáticas, segundo disse ao Correio Angolense fonte bem informada. “Inicialmente estavam à espera da rotatividade dos embaixadores, algo que já aconteceu há algum tempo. Agora dizem que o problema é falta de dinheiro, o que não colhe porque a maior parte dos postos já tinha adidos e a respectiva verba continua a ser cabimentada. Alguém pode estar a «brincar» com dinheiro público”, disse a fonte.

Fazendo fé na nossa fonte, há casos que por ausência anterior de adidos até se pode justificar com falta de dinheiro. Mas há outros, na verdade a maioria, cuja justificação não convence. Para a nossa fonte, o que pode estar a acontecer  é “má vontade” das entidades decisoras do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), que sempre viram como “corpos estranhos” os adidos indicados pelo Ministério da Comunicação Social e pelo Ministério da Cultura.

“É pensamento corrente entre a generalidade dos funcionários do MIREX que eles próprios deviam prover os cargos de adidos de Imprensa e de Cultura”, revelou a fonte antes de adiantar que “por isso, muitas vezes arrastam os pés quando têm de tratar de assuntos administrativos para dar seguimento a processos que envolvam adidos de Imprensa, principalmente, ou de Cultura. É verdade que a questão das verbas depende do Ministério das Finanças, mas não é menos verdade que o pessoal do MIREX faz esforço nenhum para agilizar os processos junto das Finanças”.

Tecnicamente desempregados, os adidos nomeados passam por sérias dificuldades porque inclusive o respectivo enquadramento nas empresas donde saíram tem sido difícil. Desse modo, dinheiro que haviam guardado para usar lá mais à frente, na velhice para fazer face a eventuais moléstias, está a ser gasto agora para cobrir despesas do dia-a-dia. Os que não fizeram poupanças vivem da caridade de amigos e familiares, uma situação humilhante, sobretudo para quem já viveu de forma mais confortável.

Mais: na expectativa que fossem seguir viagem imediatamente depois da nomeação, alguns adidos fizeram contas para matricular os seus filhos em escolas dos países para os quais devem seguir e “tramaram-se” literalmente. Com isso, viram o presente ano lectivo dos filhos em Angola substancialmente amputado por terem começado as aulas mais tarde. Isto porque esperavam a viagem que até agora não chega e pela qual os nomeados e suas famílias desesperam, sem dinheiro e endividados.

Tem sido comum adidos de imprensa nomeados sequer irem para os seus postos.