Cantoneiros foram extintos?

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Na entrevista que concedeu terça-feira à Televisão Pública de Angola, o ministro da Construção e Obras Públicas falou, de entre outros projectos, de um a que chamou Plano Nacional de Salvação das Estradas.

Manuel Tavares de Almeida revelou a realização de um concurso para a salvação de estradas para o qual concorreram mais de 400 empresas , das quais 27 foram aceites.

O ministro da Construção e Obras Públicas teve nessa entrevista a grande oportunidade de “ressuscitar” a figura do cantoneiro. 

 A manutenção de estradas não precisa de ser necessariamente feita por grandes empresas.  Antigamente, a reparação e manutenção de pequenos troços de estradas eram asseguradas por cantoneiros. 

Para quem não sabe – e pelos vistos há muita gente que não sabe –  cantoneiros eram trabalhadores da Antiga JAEA (Junta Autónoma das Estradas de Angola) hoje INEA, que tinham por missão velar pela conservação das estradas, fazendo trabalhos de capinagem, desmatação e limpeza de arbustos ou capim, para evitarem a degradação dos pavimentos da estrada e das bermas. Cuidavam, também, do bom funcionamento dos órgãos de drenagem,  fazendo visitas periódicas ao longo do seu raio de acção previamente estabelecido. Tinham casa própria à margem das estradas e desse modo a JAEA sabia de tudo o que se passava nas estradas, agindo por antecipação.


Antigamente, operações de tapa-buracos eram asseguradas por cantoneiros. Hoje o ministro entende que operações desse género têm de ser feitas por empresas privadas. E depois dizem-nos que não há dinheiro

No contexto actual, os cantoneiros não têm necessariamente de ser trabalhadores do INEA. Eles podem ser recrutados e depois preparados por entre as populações que vivem às margens das estradas. Dotando-os de meios básicos, seguramente eles pesariam menos nos custos do Estado. Com a contratação de cantoneiros nos meios rurais, o Estado estaria também a dar oportunidade de emprego a alguns cidadãos.

A persistente contratação de empresas para tudo e para nada tem-se revelado um fiasco, mesmo porque o Governo tem dificuldades de pagar os serviços que contrata.

 Se bem gerido, o Fundo Rodoviário poderia perfeitamente suportar os cantoneiros.

Mas, pelos vistos, reabilitar a figura do cantoneiro é algo que não passa pela cabeça do ministro da Construção e Obras Públicas. O homem é apenas dado a programas megalómanos.  Contratar empresas para “salvar” as estradas seguramente proporciona melhores e mais chorudas comissões a Manuel Tavares de Almeida.

Na verdade, qual a contrapartida que um cantoneiro, recrutado numa bwala qualquer,  poderia oferecer ao ministro?