Sérgio Hirose garantiu ao Correio Angolense que, a partir de resíduos gerados em cidades como Luanda, será possível transformar lixo em matéria-prima, que, entre outras utilidades, servirá para a construção de casas auto-sustentáveis, “do piso ao tecto”. A unidade de tratamento de resíduos está a ser montada na ZEE e não tarda entrará em funcionamento, iniciando uma verdadeira “revolução industrial” no modo como se constroem casas e outros bens como carteiras escolares, composições ferroviárias, móveis, etc.

Devido ao seu elevado grau de contágio e de letalidade, o coronavírus (Covid-19) está na ordem do dia, constituindo uma grande preocupação para o governo de Angola, que há dias estendeu o período do Estado de Emergência no país. Contudo, o maior vilão continua a ser a malária. Segundo dados do Programa Nacional de Luta contra a Malária do Ministério da Saúde, a doença provocou a morte a pelo menos 25.781 entre 2017 e 2018, sendo que no primeiro trimestre de 2019 haviam sido registados 1,2 milhões de casos. Ou seja, até há bem pouco tempo mais de 35 angolanos, maioritariamente crianças, morriam diariamente de malária.
Em resumo, a malária representa 20% dos casos de internamento hospitalar e 40% das mortes perinatais que acontecem em Angola, de acordo com dados das autoridades sanitárias do país. A doença é, pois, a principal causa de óbitos em Angola, sendo igualmente um dos principais motivos do baixo peso de bebés à nascença, da anemia em mulheres grávidas e da mortalidade relacionada com o parto e o pós-parto.
Na base deste grave problema de saúde pública radica uma razão. Trata-se da falta de saneamento do meio, o mesmo que dizer o manuseio correcto do lixo. Este tornou-se um verdadeiro problema de Saúde Pública no país, transformando-se num pesadelo para as autoridades governamentais. Isto porque resíduos são indevidamente depositados em vários locais, principalmente nas periferias das grandes cidades, mas também depositados nos ditos aterros sanitários.
Mas o lixo pode deixar de ser fonte de doenças mortais como a malária e a febre tifoide, as mais comuns em Angola. Pelo menos em grande medida, desde que mereça gestão adequada, através da remoção e tratamento apropriados que ajudem a afastar diversas ameaças à saúde humana e ao Ambiente. É que, um ambicioso projecto de recolha e transformação de resíduos urbanos em matéria-prima entra em funcionamento ainda este ano na Zona Económica Especial (ZEE), nos arredores da capital do país. Trata-se de uma iniciativa da empresa BTC-ECO, em parceria com o abolido Ministério do Ambiente (MINAMB), através da Agência Nacional de Resíduos.
Há um ano instalada no mercado, a BTC-ECO promete transformar o problema-lixo em solução, conforme garantiu ao Correio Angolense o administrador da empresa, Sérgio Hirose, ele que também é o “pai” do primeiro banco digital do país, o DUbank. “Os aterros são soluções paliativas para o problema do lixo, pois os resíduos ficam aí mesmo, contaminam os solos e criam sérios problemas de saúde pública, sobretudo em países em vias de desenvolvimento nos quais as pessoas manuseiam o lixo sem nenhum tipo de cuidado. O que nós vamos fazer, em parceria com o Governo, é evitar que as pessoas entrem em contacto com o lixo, retirando-o dos aterros e transformando-o em matéria-prima diversa”, indicou.


Sérgio Hirose administrador da BTC-ECO

Uma dessas matérias-primas será a madeira bio-sintética (MBS). De acordo com o interlocutor do Correio Angolense, “para a fabricação de madeira bio-sintética podem ser utilizados resíduos sólidos agrícolas, resíduos sólidos industriais, resíduos sólidos urbanos, resíduos minerais, lodos e matéria de aterros. Absorve 100% dos resíduos plásticos e de cargas sólidas, que podem ser fibras (naturais ou industriais), cargas minerais (resíduo de mineração), fibras animais (couro, pêlos, etc.), entre outros materiais”. E explica que a qualidade da madeira bio-sintética depende diretamente da formulação aplicada em cada caso. Por isso, é realizada uma pesquisa da composição dos resíduos, do volume e do melhor aproveitamento a ser dado.
Sérgio Hirose foi peremptório quando questionado se a madeira bio-sintética pode ser utilizada para todos os fins, como acontece com a madeira natural. Para ele, “a madeira MBS pode ser usada para os mesmos fins em que se emprega a madeira natural, sendo um substituto perfeito. A vida útil estimada é de mais de 100 anos, sendo mais densa que os perfis de madeira e de dureza Janka, compatível com a madeira de lei”. Revelou também que a madeira bio-sintética não é suscetível a rachaduras e sequer gera farpas, acrescentando que para a sua fixação são utilizados os mesmos meios empregues para madeiras de lei existentes. Ou seja, podem ser fixas com cola, pregos e parafusos, sendo resistente a pragas, ao gasóleo, ao óleo mineral e a substâncias sebosas.
O administrador da BTC-ECO fez questão de esclarecer que além dos detritos/resíduos, na madeira bio-sintética em princípio nada mais é agrega na sua composição. Ou seja, não tem adição de agentes e reagentes químicos, mantendo a sua propriedade física sem deterioração, com excelentes atributos mecânicos e com peso específico fixo. “A MBS permite ser termoformada, pode ser colorida no processo ou posteriormente, pode ser produzida com essências e pode ser produzida com características anti-chamas. Nestes casos, exige formulação específica para tais características e, aí sim, acontece ou não a adição de outros componentes no processo (opção do operador da tecnologia ou do cliente).
A transformação de lixo em material de construção é apenas uma parte do ciclo que a BTC-ECO vai criar. A outra é utilizar a matéria-prima na construção de habitações, ainda um dos grandes problemas da sociedade angolana, que cresce a olhos vistos. Nesse capítulo, Sérgio Hirose disse ser possível montar até sete casas por dia com matéria-prima transformada a partir do lixo.
“São casas auto-sustentáveis de 60 m2, com dois quartos, WC e cozinha, cujo preço está ao alcance até de quem ganha um salário mínimo, desde que seja financiado por um banco. Essas casas, por si mesmas, regulam a absorção ou a libertação de calor ou frio, em função da temperatura ambiente, além de serem equipadas com placa solar e sistema de captação e tratamento de água da chuva. Do tecto ao piso, são totalmente construídas com material procedente de resíduos urbanos, a que também chamamos lixo”, proclamou.
Contas de somar indicam que a BTC-ECO pode construir até 1.200 casas por ano, o que quer dizer que pode erguer bairros inteiros auto-sustentáveis, amigos do Ambiente, sem retirar uma árvore da natureza. E ainda por cima são muito mais duráveis que os materiais de construção convencionais, tendo a casa um tempo de vida útil de 100 anos em ambientes normais e de 500 anos em ambientes com ausência de raios ultra-violeta. O líder da BTC-ECO confessou que esse sistema de transformação não é novo, remontando a meados da década de 1940 e está já em uso em países como Alemanha, Argentina e EUA. Garantiu, contudo, que após a Humanidade superar a pandemia do Coronavírus muita coisa se vai alterar para melhor.
“A forma de agirmos vai mudar, a consciência colectiva em matéria ambiental será melhor e nós queremos começar a escrever o capítulo angolano da ‘quarta revolução industrial’, que já está em seguimento noutras partes do Mundo. No fundo, essa ‘revolução’ consiste na adopção de práticas ambientalmente sustentáveis como a produção de matérias-primas a partir de resíduos urbanos, de modo a garantirmos um futuro saudável para as gerações futuras e um Mundo mais saudável para nós, visto que um ambiente livre de agressões significa também menos doenças para a Humanidade”, argumentou.


O administrador da BTC-ECO fez questão de esclarecer que além dos detritos/resíduos, na madeira bio-sintética em princípio nada mais é agrega na sua composição. Ou seja, não tem adição de agentes e reagentes químicos, mantendo a sua propriedade física sem deterioração, com excelentes atributos mecânicos e com peso específico fixo. “A MBS permite ser termoformada, pode ser colorida no processo ou posteriormente, pode ser produzida com essências e pode ser produzida com características anti-chamas. Nestes casos, exige formulação específica para tais características e, aí sim, acontece ou não a adição de outros componentes no processo (opção do operador da tecnologia ou do cliente).
A transformação de lixo em material de construção é apenas uma parte do ciclo que a BTC-ECO vai criar. A outra é utilizar a matéria-prima na construção de habitações, ainda um dos grandes problemas da sociedade angolana, que cresce a olhos vistos. Nesse capítulo, Sérgio Hirose disse ser possível montar até sete casas por dia com matéria-prima transformada a partir do lixo.
“São casas auto-sustentáveis de 60 m2, com dois quartos, WC e cozinha, cujo preço está ao alcance até de quem ganha um salário mínimo, desde que seja financiado por um banco. Essas casas, por si mesmas, regulam a absorção ou a libertação de calor ou frio, em função da temperatura ambiente, além de serem equipadas com placa solar e sistema de captação e tratamento de água da chuva. Do tecto ao piso, são totalmente construídas com material procedente de resíduos urbanos, a que também chamamos lixo”, proclamou.
Contas de somar indicam que a BTC-ECO pode construir até 1.200 casas por ano, o que quer dizer que pode erguer bairros inteiros auto-sustentáveis, amigos do Ambiente, sem retirar uma árvore da natureza. E ainda por cima são muito mais duráveis que os materiais de construção convencionais, tendo a casa um tempo de vida útil de 100 anos em ambientes normais e de 500 anos em ambientes com ausência de raios ultra-violeta. O líder da BTC-ECO confessou que esse sistema de transformação não é novo, remontando a meados da década de 1940 e está já em uso em países como Alemanha, Argentina e EUA. Garantiu, contudo, que após a Humanidade superar a pandemia do Coronavírus muita coisa se vai alterar para melhor.
“A forma de agirmos vai mudar, a consciência colectiva em matéria ambiental será melhor e nós queremos começar a escrever o capítulo angolano da ‘quarta revolução industrial’, que já está em seguimento noutras partes do Mundo. No fundo, essa ‘revolução’ consiste na adopção de práticas ambientalmente sustentáveis como a produção de matérias-primas a partir de resíduos urbanos, de modo a garantirmos um futuro saudável para as gerações futuras e um Mundo mais saudável para nós, visto que um ambiente livre de agressões significa também menos doenças para a Humanidade”, argumentou.