Um dedo milagroso. Bastou ao jovem polaco Thomasz ter um dedo indicador prodigioso e apontar no mapa mundi um país na África Ocidental. Angola. Com tantos países africanos, só Angola atraiu o dedo do personagem desta história. Primeiro acto do filme de aventura. Segundo acto. Thomasz Dowbor nasce em Varsóvia, Polónia (1974). Em 1995, é um jovem de 21 anos que desembarca em Angola, cheio de ideias. Claro está: desembarca num país onde ninguém tem ideias de negócios. Só ele as tem. Tem ideias, mas também informações sobre os “donos do país”. As informações, certamente privilegiadas, obteve-as do pai, um antigo diplomata em Angola. Rapidamente, tem acesso aos corredores do poder político e financeiro. Mas, faltava um detalhe: não tinha nacionalidade angolana. Por via de casamento, consegue finalmente “camuflar-se ” entre os angolanos.Terceiro acto do filme de aventura. Descoberto o país das sete maravilhas, Thomasz Dowbor inicia a sua saga triunfal. Escolhe como “core bussiness” o ramo imobiliário que está a florescer graças ao petróleo, que jorra a potes. Abre as portas dos bancos e obtém crédito à vontade. Passa, então, a montar um “império” e, não tarda, torna-se fundador e dono de mais de duas dezenas de empresas. Desde o ramo imobiliário ao da agro-pecuária; da mineração ao comércio da madeira; da agricultura à pesca. Enfim. Nada escapa. Não havia melhor nome para baptizar o seu “império”: Grupo “BoaVida”. Acertou em cheio. Era o que lhe acontecia desde que desembarcou em Angola – boa vida. Acto final do filme de aventura. Ora, nem mais. Torna-se o “camarada Thomasz” do CAP do MPLA na urbanização do Nova Vida. Por ocasião da sua “eleição”, justa e verificável pelos militantes do partido, é homenageado com a honorável presença de nada mais nada menos que o secretário-geral do Partido, Julião Mateus Paulo (Dino Matross). Ouro sobre o azul. Dino Matross. Ora, não era este um estudante na Polónia no tempo da luta de libertação nacional? Daí a conhecer os círculos de dirigentes do país com os quais não conversa somente sobre a Polónia, como se presume facilmente. Tratam de negócios imobiliários, bancos, pedras preciosas e agricultura, onde cruza com o fazendeiro Kundi Paihama.
São estas as presumíveis conexões e que suscitam dúvidas razoáveis.
Mas, e como bem diz a sabedoria popular, até no melhor pano cai a nódoa: apesar de ser dono de um amplo e fabuloso património imobiliário, com vários condomínios de luxo, é revelado como um reles devedor. Se fosse um angolano nato, Kundi Paihama, nos seus tempos áureos, já o teria atirado para uma cela húmida e bafienta. Mas, é claro, trata-se de um angolano “especial”.

Jornalista, Escritor e Jurista.