AVARIA DE “RAIO-X” ATRASA IDENTIFICAÇÃO DE DOENTES COM COVID-19

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A avaria do aparelho de Raio-X pode transformar a clínica Sagrada Esperança, na Ilha de Luanda, num endereço de morte certa para quem for infectado pelo novo coronavírus, segundo apurou o Correio Angolense no local. 

O Raio-X é um equipamento essencial para a rápida identificação da doença que ameaça o Mundo.

Seguindo o protocolo das melhores práticas médicas, a Clínica Sagrada Esperança montou duas tendas para rastreio de doentes que cheguem com problemas respiratórios. Acontece, porém, que os pacientes encaminhados para os improvisados compartimentos colocados no parque automóvel da clínica não fazem Raio-X, um exame fundamental para ajudar a avaliar o estado dos pulmões, porque o aparelho está avariado. Pelo menos de sábado passado, 5, até esta quarta-feira, 8, o dispositivo estava inoperante.

Sem o exame que pode, em poucos minutos, dar pistas concretas sobre os pulmões, o paciente é submetido ao teste de Covid’19, cujo resultado, em regra, demora mais de uma semana. Enquanto isso, ninguém sabe se alguém dentro da tenda que acolhe seis doentes já está infectado ou não. Mais: entre uma e outra cama, separadas por uma cortina de pano, a distância é inferior ao recomendável metro e meio de distância mínima.

Do lado de fora, a  poucos metros das tendas, vagabundeiam cães vadios, há uma poça de água alegadamente para desinfecção dos pneus dos carros que entram na clínica. Apesar desse cenário quase dantesco, o paciente que ali chega tem de desembolsar Um Milhão de Kwanzas de caução para uma permanência de 72 horas, com a promessa de os familiares serem informados periodicamente sobre a evolução do estado de saúde do doente. Mas isso não acontece. Ou pelo menos não aconteceu com os familiares de uma octogenária que faleceu na tarde desta terça-feira, 7, numa das tendas.


Na Clínica Sagrada Esperança, a avaria do Raio-X dificulta a identificação de doentes infectados pelo Coronavírus

No caso em apreço, menos de 24 horas após o falecimento, o resultado do teste de Covi’19 da anciã acusou positivo. 

Na sequência e apesar de ter feito apenas 48 horas na tenda, a família recebeu uma chamada dos serviços da morgue da clínica dando a conhecer que havia mais Oitocentos Mil Kwanzas a pagar! A mesma clínica que em 48 hora não se prestou a dar qualquer informação à família foi lesta a cobrar um serviço que não realizou.