SE EU FOSSE O TOMÁS O QUE EU NÃO FARIA

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(A propósito da estratégia suicida do Presidente do Atlético Petróleos de Luanda para o basquetebol do Clube)

Não sendo propriamente um seguidor rígido do jargão desportivo, muito vulgarizado no futebol, de que «em equipa que ganha não se mexe», porquanto reconheço que, tanto na vida, quanto no desporto, podem ocorrer situações ponderáveis e imponderáveis susceptíveis de levar a mexidas num projecto, num grupo de trabalho ou num equipa desportiva, mesmo que se esteja em momento a seguir a uma proeza bastante comemorada. Tudo por causa da contingência do ser humano e das suas realizações.

Mas, em relação à formação sénior masculina de basquetebol do Petro Atlético de Luanda preferia que imperasse o «em equipa que ganha não se mexe», para permitir que o voluntarioso, o abnegado e o respeitador Lazare Adingonó seguisse à frente da equipa técnica; que o estratega-mor, o grande metodólogo e o motivador por sapiência Artur Casimiro Barros continuasse responsável pelo basquetebol do Clube Tricolor; e que o grosso do plantel fosse mantido lá pelas bandas da Gamal Abdel Nasser, uma vez que há indicação de jogadores influentes que tencionam seguir o treinador no caminho para a porta de saída. Com tudo isso, lograríamos, seguramente, a consolidação do título (e seus generosos efeitos) conquistado na época anterior, 2018/2019, já que nesta época (2019/2020) não nos deixaram ser Campeões, a pretexto do evento pandémico. Não que possamos afirmar assertivamente que, com as alterações verificadas na estrutura basquetebolística do Clube, se ande distante da conquista de títulos!

No entanto, no lugar do Presidente Tomás não Faria, de certeza, o que ele fez: 1) Abrir mão dos bons e cobiçados préstimos do técnico Lazare Adingonó, sobretudo quando se vem a saber que a diferença esteve, afinal, no contornável um ano de contrato, pelo lado da Direcção do APL e dois anos de contrato, para o lado do coach Adingonó. 2) Retirar o professor Artur Barros da Coordenação do nosso Basquetebol, nada contra o técnico Anselmo Monteiro, para o colocar numa área, segundo as palavras do reconduzido Presidente, mas que nos parece difusa e residual, de feição científica e de análise.

No lugar do Presidente Tomás Faria não  abriria mão dos bons e cobiçados préstimos do técnico Lazare Adingonó

Logo agora que as coisas se encaminhavam para uma sucessão, com aparência duradoura, de pódios, troféus e galardões a nosso favor, já que se estava a instalar (pelo menos no basquetebol), a olhos vistos, um processo típico de dinâmica de vitória, enquanto nas hostes adversárias a maré financeira e competitiva parece estar baixa.

Ou seja, o que se exige e recomenda da Direcção de um Clube, da estaleca do Petro de Luanda, é afinar as estratégias, pensamentos e contratos para que das nossas estruturas de técnicos e atletas não saiam verdadeiras matérias-primas ou mais-valias para que os outros construam carreiras, hegemonias e palmarés não apenas contra nós, como também sobre nós, e nem precisamos citar nomes!

Enfim, que os erros do passado recente não voltem a atormentar o visual e a auto-estima dos bons dos adeptos petroatleticanos, cujo único pedido – ordem, que endereçam a quem tem o leme do Clube às mãos, é: Mantenham as nossas cabeças erguidas! Temos dito!