JP, UM CASO DE ESTUDO

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Os agentes políticos angolanos precisam de parar para reflectir. É urgente uma inflexão. A política está a ser arrastada para o pantanoso campo do ridículo. 

A declaração do deputado João Pinto, do MPLA, segundo a qual João Lourenço possui a rara característica de ouvir, é um importante marco nessa caminhada da ridicularização da política doméstica.

As pessoas mais atentas neste país já perceberam, há muito tempo, que o deputado João Pinto não tem a menor noção do ridículo.  O cérebro dele não recebe o retorno das baboseiras que coleciona. 

Por detrás do cidadãos João Pinto há mulher, filhos, sobrinhos e outros parentes que ele constrange com a sua sucessão de disparates.

Afirmar, com todos os dentes, que João Lourenço é uma figura singular porque ouve é um disparate que deixou sem chão as pessoa que privam com João Pinto.

João Pinto desconhece muitas coisas elementares. Uma delas é que o Presidente João Lourenço está equipado com um aparelho auditivo e não consta que esse aparelho funcione deficientemente.

No ser humano, ouvir não é virtude nenhuma. E saber ouvir é obrigação de qualquer indivíduo que abrace o serviço público. Qualquer pessoa sensata ouve e regista os sinais que o seu aparelho auditivo colhe.

Quando assumiu o desafio de ser presidente dos angolanos em nenhum momento, por certo, ocorreu a João Lourenço que poderia faze-lo com algodão nos ouvidos ou venda nos olhos. 

Ser presidente de Angola é um exercício que exige olhos muito abertos e ouvidos livres de cera e outras substâncias que podem perturbar a boa audição.

Usar um espaço televisivo nobre para reduzir a João Lourenço uma característica ou qualidade comum a qualquer pessoa sensata é, já, levar a bajulação a patamares que se julgavam impossíveis. 

Do mesmo deputado João Pinto já ouvimos os mais variados encómios à figura do anterior presidente da República, José Eduardo dos Santos. Do mesmo João Pinto já ouvimos referências que colocavam José Eduardo dos Santos acima de qualquer mortal.

Agora, pela boca do mesmo deputado, acabamos de saber que, no ser humano, ouvir bem é uma característica rara e só pessoas excepcionais, como seria João Lourenço, estão dotadas dela.  

Com as suas extraordinárias “descobertas”, João Pinto contribui decisivamente para a ridicularização da política.

Mas João Pinto está equivocado: raridade não é a disposição de João Lourenço de ouvir a sociedade. Raridade é ele próprio, João Pinto. O deputado do MPLA tem qualidades muito raras, nomeadamente, a de ver em alguns qualidades e virtudes que escapam à generalidade das pessoas. Foi assim que aconteceu com José Eduardo dos Santos, em quem enxergou qualidades ímpares, e agora começa a ser assim com João Lourenço. A capacidade de João Pinto para a adulação, a humilhação, a falta de amor próprio, é algo que é realmente raro.

Não é comum ao homem normal rastejar aos pés de outrem, lamber-lhe as botas com a facilidade e frequência com que João Pinto o faz.

João Pinto já merece ser estudado. Ele reúne todos os ingredientes que o tornam num intrincadostudy case.