A UNITA entende que a estratégia do Executivo de enfrentamento à pandemia da Covid-19 condiciona o futuro.

Entrevistado pelo Correio Angolense, o líder do maior partido da oposição diz que o Executivo não tem preparado o país para conviver com a pandemia “e simultaneamente olhar para o futuro”.

O país em vez de se preparar para conviver com esta pandemia e simultaneamente olhar para o futuro, como estão os outros países a fazer, aqui condicionou-se tudo, adiou-se tudo. Hoje o Covid serve para justificar o adiamento dos desafios que o MPLA não queria realizar e nós não podemos estar de acordo”.

Entre as opções do Executivo rejeitadas pela UNITA inscreve-se a anulação do ano lectivo. Para Adalberto da Costa Júnior tal iniciativa foi precipitada. “Sabemos que o ensino primário obriga a cuidados especiais, mas o secundário e o universitário poderiam conhecer outras decisões, que possibilitassem o ensino misto, presencial e usando as novas tecnologias, salvaguardando o ano lectivo e muitos empregos, essenciais para garantir estabilidade social. Todo o sector privado foi despedido., afectando muitos milhares de famílias angolanas”.

A UNITA critica, também, a manutenção da cerca sanitária à província de Luanda por associar-lhe efeitos perversos à economia.

A cerca a Luanda não vem acompanhada por uma estatística real. O vírus já estava disseminado pelo país, por falta de controlo dos passageiros dos voos da TAP  e o atraso (de 40 dias) do início do controlo, apenas em Maio, dos passageiros do início de Março, da TAAG. Esses dados não foram partilhados com o país! Quantas empresas faliram por consequência da manutenção da cerca? O nosso país reagiu rápido no início, mas depois assumiu os procedimentos do Estado Central, que tudo controla e por consequência perdeu o controlo de muita coisa. Não faz sentido que hoje um teste possa custar 180 mil kzs, o que o torna acessível apenas a muito poucos!”  

A UNITA, segundo o seu líder, discorda da opção do Executivo de chamar a si todas as acções de prevenção e combate á pandemia da Covid-19.

Pensamos que poderíamos ter feito melhor, em especial discordamos da opção de concentrar tudo nas instituições públicas, em que o Ministério da Saúde não tratou de cooperar com as instituições privadas, com as universidades, criando parcerias que melhorassem  e ampliassem o combate ao Covid 19. Testou-se pouco, partiu-se para um controlo dos testes pelo Estado apenas e muito mais tarde só uma clínica ligada ao regime passou a operar”

Adalberto da Costa Júnior chama também atenção para o aparente facto de a pandemia da Covid-19 haver tirado do radar do Executivo doenças como a malária ou HIV SIDA, que provocam muitas mortes no país. “Há um elevado número de mortes de outras doenças que deixaram de ser olhadas como prioridade e que afectam fortemente as nossas populações”.

Na parte final desta entrevista, Adalberto da Costa Júnior reafirmou a determinação da UNITA de continuar a batalhar pela recuperação do que considera ser seu património imobiliário, o qual, segundo ele, está ocupado por instituições do Estado, por dirigentes do partido governante e por oficiais das forças de Defesa e Segurança.

O Protocolo de Lusaka estabelece a devolução desse património como tarefa obrigatória”, sublinha. Por isso, a UNITA considera o recurso a várias instituições, nomeadamente tribunais nacionais e internacionais.

Recentemente, “correu” nas redes sociais informação segundo a qual Isaías Samakuva, antigo líder do Galo Negro, teria sido desalojado da casa protocolar da organização que habita.

O ex-líder da UNITA continua a viver na mesma residência onde vivia quando exerceu as funções de Presidente do Partido. As notícias que relataram a sua saída foram de má fé e não têm qualquer fundamento”, esclareceu Adalberto da Costa Júnior.