Caso Inocêncio Matos: Quem mentiu quem?

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O Presidente da República é também o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas. Sabe ou era suposto saber de tudo sobre as operações policiais. Ao assegurar no encontro com os jovens que a polícia só  ” usou balas de borracha “, logo estava a par e passo das operações que se desenrolaram a 11 de Novembro de 2020. Nessa manifestação morreu o jovem universitário Inocêncio Matos. A polícia desdobrou -se em acções visando desmentir ou em todo casos em tentativas de acobertar o que havia sucedido. Num primeiro momento, disse à boca cheia que o jovem se encontrava vivo e sob os cuidados do Hospital Américo Boavida. Quase simultaneamente as redes sociais foram inundadas com fotos do tal, que veio a descobrir-se, não era Inocêncio Matos. Ou seja: no lugar do morto havia sido “improvisado” um vivo. Encontrado o “verdadeiro morto”, o “morto de mentira” desapareceu. Depois,  apareceu em cena um médico que atestou a morte do “verdadeiro morto”: era o jovem estudante universitário Inocêncio Matos, estudante do terceiro ano de informática da Universidade Agostinho Neto. A polícia ficou muda a partir daí. Quando as redes sociais se encheram de denúncias dando conta ter sido da polícia a autoria da morte do jovem Inocêncio Matos, surge em cena, uma vez mais, o médico, desta vez a atestar que uma autópsia realizada ao corpo de Matos revelou que tinha sido, alegadamente, vítima de um “instrumento contundente”. Na classificação de instrumentos contundentes não consta a bala. Que é  um instrumento perfurante. Por exemplo: um dos  instrumentos contundentes  clássicos é o taco de basebol. (Uma moca ou coisa semelhante,  de ferro ou pau). Alguns instrumentos cortantes e perfurantes  podem ser simultaneamente contundentes, como  machados ou catanas. Posto isto, após uma segunda autópsia, surgem agora informações segundo as quais o corpo de Inocêncio Matos apresentava perfurações ao nível do pescoço ou da boca, saindo a bala pelo crânio. Voltando à pergunta: quem é que mentiu?  O Presidente e a polícia? O médico e o Hospital Américo Boavida? Há no mínimo dois desdobramentos  desta questão que são  inevitáveis. O criminal-nvestigativo e o ético -administrativo.  Um à cargo da PGR e outro à cargo da Ormed. É o mínimo que se espera.