Na narrativa oficial sobre a morte de Ludy Kissassunda são enaltecidos somente as suas passagens, como governador, pelas principais de Malange e do Zaire. Há, claramente um propósito de pular ou pelo menos de subestimar um período muito importante na vida do falecido dirigente do MPLA: o papel central que desempenhou na repressão dos ditos fraccionistas. Enquanto director da DISA, Kissassunda deixou indiscutivelmente as suas impressões digitais no morticínio que se seguiu à declaração de Neto segundo a qual não haveria perdão a todos quantos fossem suspeitos de haverem tomado parte do suposto golpe contra Neto.

Aliás, de regresso de Monróvia, onde fora participar de uma cimeira da OUA e depois de haver sido verbalmente zurzido pelos seus pares   por causa da sanha assassina, da sua DISA, uma da medidas que Neto tomou foi justamente afastar Kissassunda, o seu adjunto Onambwe, (na verdade o verdadeiro cérebro da carnificina) do comando daquela instituição de muito má para  milhares de angolanos. 


Não se constesta aqui o papel do malogrado Ludy Kissassunda no momento de libertação nacional. Mas está muito da unanimidade nacional, sobretudo pelo papel de carrasco que assumiu na sequência dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977. E isso deveria ser dito às novas gerações

Negar às novas gerações de Angola o direito de saberem o momento mais trágico por que passou o nosso  país é um crime contra a História do país.

De resto, negar ou deturpar a História estão no ADN do MPLA. Veja-se a história dele próprio tempo: só há pouco tempo reconheceu que., afinal, antes de Neto conduzir o país até à Independência, o Movimento teve outros presidentes. 

Além de mau aprendiz de. História, o MPLA distingue-se também por ser um troca tintas: até 2016, José Eduardo dos Santos era o líder clarividente, o Arquitecto da Paz, o homem que, segundo Norberto Garcia, deveria ser multiplicado por três. Em pouco menos de 4 anos já é tratado como pária internacional. Por este ano, ninguém duvide que ele alguma vez venha a ser riscado da lista dos antigos presidente do MPLA.

É que os “camaradas” são useiros e vezeiros em lapsos de memória convenientes. 

Enfim, não se constesta aqui o papel do malogrado Ludy Kissassunda no momento de libertação nacional. Mas está muito longe da unanimidade nacional, sobretudo pelo papel de carrasco que assumiu na sequência dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977.