No Sumbe, embaixador belga “servido” com caneca para “banho” matinal

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Embaixador da Bélgica hospedou-se num hotel que ficou horas sem água e luz, indicado pelo Governo da Província do Kwanza Sul. Era, supostamente, o “melhor” da capital provincial famosa pela sua poeira! Vexame…

Muitos angolanos estavam convencidos que já tinham visto ou ouvido falar de todos os episódios que envergonham o país. Enganaram-se. Nas algibeiras de muitos governantes deste país, todos eles forjados na escola do MPLA, há sempre mais alguma coisa na manga para aprofundar a vergonha colectiva.

Não bastasse a corrupção, endémica, a governação em Angola é – já todo o mundo o sabe – risível, quando não é tragicómica e irresponsável, chegando mesmo a raiar os terrenos da indecorosidade! Quase todos os dias acontecem episódios protagonizados pela (des)governação que envergonham os angolanos. A lista é quilométrica.

Há poucos meses, o governo do Kwanza Sul, liderado por aquele militante do MPLA que não há muito se gabou de nunca haver feito qualquer trabalho útil ao país, com exceção do seu ofício de “mobilizador de massas”, protagonizou mais uma, que se traduziu em mais um brutal vexame ao povo deste país.

O episódio que aqui se conta não é exactamente recente, mas vale a pena para que os angolanos saibam com quê gente se metem e quem escolhemos para governar.

Em Outubro passado, o embaixador do Reino da Bélgica em Angola foi ao Sumbe, no Kwanza Sul, a fim de identificar áreas de negócio nas quais empresários do seu país podem trabalhar em parceria com homólogos locais.

Como recomendam as boas práticas diplomáticas, através de uma nota verbal, os serviços protocolares da missão diplomática belga avisaram, antecipadamente, as autoridades da província sobre a visita e pediram o necessário apoio, sobretudo no que diz respeito ao alojamento. A parte angolana procedeu em “conformidade” e indicou o que na sua opinião seria o “melhor hotel” da cidade.

Sucede, porém, que a breve estadia do embaixador Jozef Smets naquela que Job Capapinha toma como a “melhor” unidade hoteleira da cidade e, consequentemente da província, traduziu-se num verdadeiro pesadelo. No dito “hotel”, o representante do Reino da Bélgica ficou horas a fio sem água e sem luz, o que causou desconforto ao diplomata e à pequena delegação que o acompanhou. 

O Correio Angolense não pode assegurar se a escolha do “melhor” hotel foi presidida pelos nossos conhecidos critérios da amizade e do compadrio, mas é sabido que a mais poeirenta cidade do país tem melhores opções hoteleiras que o escolhido pelo governo de Job Capapinha, sem água corrente e sem energia. Fonte da eleita unidade admitiu ao Correio Angolense que o embaixador Jozef Smets e comitiva se tenham “refrescado” à base da caneca. Afinal, essa era a única “atração turística” que o “melhor” hotel podia oferecer.

Independentemente de quem tenha tomado a decisão de escolher um “hotel” que não tinha água e nem energia eléctica, a responsabilidade última por mais esse vexame ao “povo heroico e generoso” recai sobre o governador Job Capapinha. Afinal, enquanto anfitrião do representante do Reino belga, impunha-se que fizesse prévia fiscalização ao hotel para assegurar-se que o ilustre visitante seria recebido nas melhores condições. Mais ainda porque Jozef Smets não foi ao Sumbe passear.

Não havendo água nas torneiras do hotel, teria sido preferível que o embaixador fosse conduzido ao rio – passa mesmo no centro da cidade – para se desempoeirar. Sujeitar um embaixador a banho de caneca foi o cúmulo da humilhação.Protegido do Presidente da República, a Job Capapinha nem um ligeiro puxão de orelha coube, o que consolida a suspeita de que há, neste país uma coligação de pessoas apostada em vexar os angolanos, seja por via da corrupção, da impunidade, do nepotismo, do compadrio, em suma, da má governação.