Para início de conversa, tem de ficar claro que quem jura a pés juntos que em 1993 era alvo de tenaz perseguição nas redes sociais, o mínimo que a família e os amigos lhe devem providenciar é uma urgente visita a um psiquiatra.

Sim, porque afirmar que em 1993 os angolanos já “surfavam” alegremente nas redes sociais é indício de alguma insanidade mental.

Até aqui tomava como piadas as intermitentes investidas de Maria Luísa Abrantes contra mim.  Em algumas ocasiões, não contive mesmo gargalhadas quando, à falta de argumentos, a  Milucha cobriu-me com os ofensivos epítetos. 

Mas, o passar dos anos foi-me alertando, aos poucos, para uma perturbadora evidência: as insistentes investidas da senhora contra mim são movidas por uma doentia fixação. 

Por alguma razão qualquer, que provavelmente nunca virei a saber, Milucha tem-me no centro do seu universo. Acha-me responsável por todas as suas desventuras, incluindo  as afectivas.

Tenho como certo que a senhora Milucha atira para as minhas costas o facto de não ter conseguido, apesar de insistentes e, por vezes, patéticas tentativas, ser primeira dama de Angola. 

Luísa Abrantes  também deve ter como certo que foi por minha influência que o pai de dois filhos dela não a guindou a um posto ministerial. 

Ela deve ter, igualmente, como certo que foram minhas as mãos invisíveis que a guiaram naquela cena patética no casamento de uma filha do Vice-Presidente da República, em que uma despeitada Milucha quis usurpar papel que cabia a outra senhora.

Num amontoado de palavras desconexas que despejou no tambor de lixo em que, em alguns casos, se transformaram as redes sociais, a fracassada candidata à primeira-dama diz o seguinte:

Quando em Agosto de 1993 fui entrevistada pelo programa Café da Manhã , de José Rodrigues da LAC e falando  de corrupção e do corruptos , exemplifiquei com o nome de Fernando Miala , na altura também Major , quase “ caiu o Carmo e a Trindade “ e no dia seguinte, disseram-me que no noticiário das 00H00 , eu teria sido exonerada do cargo . Mais tarde , por factos bem identificados , como no caso anterior, apercebi-me que os discípulos de Miala , Kopelipa e Dino , teriam aprendido bem a lição e alertei para actos de corrupção e branqueamento de capitais e os mesmos serviços de Segurança tudo fizeram , para me descredibilizar e  desacreditar, utilizando os jornalistas Graça Campos e Williams Tonet , para além de anônimos nas redes sociais.  O interessante, é que a maioria que hoje crítica a corrupção por conveniência pessoal e porque nunca fizeram a diferença, que é o único motor para mudar o mundo para melhor , nessa altura juntou-se ao coro”. 

A confusão de ideias, os erros de concordância e a invenção, em 1993, de redes sociais em Angola denunciam que o estado psicológico de Maria Luísa Abrantes requer imediata atenção de psiquiatras e outros especialistas em saúde mental. São, também, um comovente apelo à ajuda.

É conhecido – por antigo – o ódio de Maria Luísa Abrantes aos  principais colaboradores do ex-quase marido. A senhora tem por Fernando Garcia Miala, M.H V. D. Júnior (Kopelipa) e Leopoldino Fragoso (Dino) o mesmo ódio do leão à hiena.

E não se pense que Milucha odeia aqueles sujeitos por causa do seu putativo envolvimento em casos de corrupção ou de branqueamento de capitais. O ódio de morte que  Milucha tem por aquele trio foi motivado pelo acesso ao ex-Presidente da República. Pelas suas elevadas funções no aparelho de Estado, qualquer membro do trio tinha acesso facilitado ao Presidente da República. Embora tivessem alguns filhos comuns, Milucha via o ex  à distância. A cruzada dela é movida pelo ciúme, inveja e despeito. 

Em 1992, Milucha abandonou o MPLA e filiou-se ao PRD não porque perseguisse um projecto político diferente, com ideias inovadoras para o país; a mudança deveu-se ao despeito por haver sido preterida. Contra as expectativas dela, em Março de 1991, José Eduardo dos Santos decidiu desposar a jovem, bonita e esbelta Ana Paula. Nada que se parecesse com aquela outra “coisa”. Até hoje, ninguém tira da cabeça de Milucha que foram Miala, Kopelipa e Dino que colocaram a então assistente de bordo da TAAG no caminho do seu ex.

Se a cruzada da Milucha visasse o bem comum, ela teria aberto o bico para dizer alguma coisa quando o ex doou aos filhos comuns o segundo canal da Televisão Pública de Angola. Também deveria ter aberto a matraca para protestar quando o ex ofereceu à filha dois  “ferry boats” comprados com dinheiro do erário para assegurar o transporte entre o terminal Marítimo de Capossoca e o Porto de Luanda.  

Como se sabe, a desiludida pretendente à condição de primeira-dama também nada disse quando a filha, do nada, se tornou em acionista de referência de um dos maiores bancos privados de Angola. 

Cúmplice do roubo , do saque e da privatização do Estado promovidos pelo ex-quase marido, a língua de trapo também nada disse quando um seu familiar ganhou de presente a gestão do parque de estacionamento subterrâneo construído , com dinheiro público, no Largo do Ambiente.  

Não há nada de nobre nos propósitos que animam a cruzada da senhora Milucha contra o mencionado trio.

O envolvimento do meu nome na guerra sem quartel que leva a cabo contra o trio é uma inequívoca demonstração da fixação da Milucha na minha pessoa.

A ex-muita coisa, não dá um único elemento, não oferece uma única pista que apoie a acusação de que eu me atrelei  aos ou fui usado pelos Serviços de Segurança para descredibilizá-la e desacreditá-la.

Juntar-me a qualquer campanha de desacreditação e descredibilização de Maria Luísa Abrantes faria de mim um sádico.  É que nesses dois campos a senhora já não tem nada a defender.

Diz a sabedoria popular que quem dorme com porcos acorda com pulgas.

Apesar de citar, com frequência, esse dito, por vezes sou vítima da minha própria imprudência. Foi imprudência ter desvalorizado os anteriores arrufos da senhora Milucha. Agora, sem o merecer, vejo o meu nome envolvido em lutas que não são minhas. Ou seja, a Milucha “contaminou-me” com as suas pulgas… 

Quando, há poucos anos, no auge da contestação ao seu governo definiu como “frustrados” os jovens que reclamavam emprego, saúde, educação, o ex-Presidente da República errou o alvo. A maior frustrada neste país é a mãe de alguns dos seus filhos. 

Milucha é perseguida pela frustração primeiro porque não conseguiu realizar o sonho de, por via da ligação com JES, ser primeira dama de Angola e, depois, porque depois da passagem pelo Gabinete de Investimentos Estrangeiros sonhava com um salto de canguru no aparelho de Estado.

Jornalista há 40 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação social públicos e privados. Na mídia pública regista passagens pela ANGOP, Jornal de Angola e Televisão Pública de Angola. Na imprensa privada tem profundas impressões digitais no Correio da Semana, Folha 8 (de que foi co-fundador e editor chefe), Angolense (co-fundador e editor chefe), Semanário Angolense (co-fundador e Director Geral) e, actualmente, no Correio Angolense. Como militar das antigas FAPLA registou passagens pelos jornais Njango Ya Sualaly (órgão da então Direcção Política Nacional) e Jornal Desportivo Militar (JDM).