General Apolinário morre associado à “lussatagem”

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Quase aos 60 anos de idade, morreu esta manhã no Hospital Militar Principal o General Apolinário Pereira, ex-chefe do Serviço de Inteligência Militar (SIM).

O HMP não divulgou as causas da morte. Mas sabe-se que o falecido era apoquentado por sérios problemas prostáticos, que o levavam, amiúde, a procurar assistência médica ao exterior do país.

O General Apolinário José Pereira foi exonerado do cargo no passado dia 28 de Maio no quadro de uma vasta campanha de depuração que o Presidente da República leva a cabo na Casa de Segurança e em todos os órgãos de Defesa e Segurança.

A exoneração do ex-chefe do SIM ocorreu no mesmo dia em que o Presidente dispensou, também, os serviços do chefe da Casa de Segurança, General Pedro Sebastião, e do tenente-general António Mateus Júnior de Carvalho, do cargo de secretário para os Assuntos de Defesa e Forças Armadas da Casa de Segurança. 

As exonerações de Pedro Sebastião, Apolinário Pereira e Mateus de Carvalho Júnior culminaram um processo de “limpeza” da Casa de Segurança, que o Presidente da República iniciou no dia 24 de Maio com as exonerações de cinco tenentes generais e um brigadeiro.

A decapitação da cúpula da Casa de Segurança do Presidente da República insere-se naquilo que um comunicado da Procuradoria Geral da República do dia 24 de Maio inseriu no “âmbito do Processo-crime n.10760/021-C, em que estão envolvidos oficiais das Forças Armadas Angolanas afectos à Casa de Segurança do Presidente da República, por suspeita de cometimento dos crimes de Peculato, Retenção de moeda, Associação criminosa e outros, foram apreendidos valores monetários em dinheiro sonante, guardados em caixas e malas, na ordem de milhões, em dólares norte-americanos, em Kwanzas, bem como residências e viaturas”.

No comunicado, a PGR sublinhou que “a prática dos factos que estiveram na base da abertura do aludido Processo remonta a (há) muitos anos atrás”.

No contexto e momento em que aconteceu, o ora falecido Apolinário Pereira também pode ser associado ao escandaloso caso Lussati, na sequência do qual o Presidente da República deu início à vasta campanha de depuração da Casa de Segurança e dos órgãos de Defesa e Segurança. 

Se a Casa de Civil do Presidente da República tivesse associado a exoneração do General Apolinário Pereira aos seus graves problemas de saúde evitar-se-iam algumas especulações.