Seja porque a juíza Laurinda Cardoso provavelmente não tenha dito tudo a seu respeito, como se espera de uma pessoa sondada para o cargo que hoje ocupa, seja porque João Lourenço e a sua equipa tenham falhado outra vez no “due diligence”, a verdade é que Angola tem hoje à cabeça do Tribunal Constitucional uma cidadã que não devia estar lá.

Não é só já uma questão de competência ou de currículo. Também não é só uma questão de percepção.

Hoje, o Presidente da República pode continuar a dizer que não violou a Constituição, mas já não pode dizer que há por aí muito barulho.

Aqui já não se trata de barulho. Trata-se de indignação que o Presidente da República não pode ignorar.

O Presidente da República condescendeu em relação a outros membros do governo possuidores de nacionalidade portuguesa. O Presidente da República contemporizou quando o levaram a nomear pessoas já falecidas; não reagiu a denúncias feitas em Portugal, que vinculam membros do seu governo e gabinete a casos de corrupção. Pode o Presidente da República continuar a não reagir, mesmo quando as labaredas lhe comem a vedação?

Pode o Presidente da República agir como se nada estivesse a passar, mesmo quando se está diante de uma ofensa como esta?

“Com tanta coisa a correr-lhe mal, o Presidente João Lourenço tem aqui uma oportunidade de se mostrar arguto, maquiavélico se quisermos. Deve forçar a demissão da juíza Laurinda Cardoso”

Nenhum presidente está livre de maus casos. Nos Estados Unidos, apertado pelo que aconteceu no Afeganistão, Biden fez três intervenções no espaço de um mês!  Bolsonaro, no Brasil, e Marcelo, em Portugal, nunca estão calados. Precisamos que o Presidente da República diga alguma coisa à Nação.

Compreendemos que o caso da juíza Laurinda Cardoso o deixe embaraçado. Mas, não há volta a dar: a “factura” vai sobrar para ele.

Com tanta coisa a correr-lhe mal, o Presidente João Lourenço tem aqui uma oportunidade de se mostrar arguto, maquiavélico se quisermos. Deve forçar a demissão da juíza Laurinda Cardoso.

Quem não é suficientemente transparente, não pode ser verdadeiramente honesto.

A juíza (luso-angolana) não pode fingir que nada se passa. Se o Presidente da República é o pai desse embaraço, ela é a mãe. E dela apenas se espera uma única coisa: demissão!