O presidente João Lourenço cumpre a partir desta segunda-feira, 20, um amplo programa à margem da participação no debate geral da assembleia-geral na sede da Organização da Nações Unidas, em Nova Iorque, que acontece quarta-feira próxima, 22.

Segundo fez saber uma nota do Centro de Imprensa da Presidência da República de Angola (CIPRA), o programa do Chefe de Estado angolano inicia hoje em Washington, com presença na Gala anual da Fundação Internacional para a Conservação do Ambiente (ICCF), durante a qual deverá discursar. No evento será  homenageado pelo seu envolvimento em iniciativas de defesa do Ambiente.

João Lourenço será ainda anfitrião e orador de uma mesa redonda sobre investimentos em Angola, numa iniciativa da Câmara de Comércio Estados Unidos da América-Angola. 

No fecho da visita a, o Presidente da República de Angola deverá manterá um encontro com a líder do Congresso, Nancy Pelosi, após o que visita o Museu de História Afro-Americana. Nessa actividade, deverá encontrar-se com descendentes de escravos idos do espaço territorial que hoje Angola, há quatro séculos. 

Na agenda presidencial há, entretanto, um “buraco” que não passa despercebido mesmo a quem não está muito ligado a questões de natureza política. João Lourenço não será recebido na Casa Branca pelo seu homólogo Joe Biden, apesar de Angola ter feito démarches junto da embaixada dos EUA em Angola e também de lobistas em Washington.

De acordo com fonte do Correio Angolense, a passagem de João Lourenço ao largo da Casa Branca tem muito que ver com o facto de a República Democrática do Congo estar neste momento pacificada e Angola já não jogar um papel crucial na pacificação da região central de África. “O Congo hoje é um país estabilizado e nesse sentido os EUA estão descansados, não precisando para já da influência de Angola junto do país vizinho”, disse a fonte para quem “por estar pouco tempo no poder, João Lourenço não tem a mesma poder de influência de José Eduardo dos Santos”.

A fonte adianta que à não ida do presidente de Angola à Casa Branca, nessa sua terceira ida aos EUA, pode  estar associada a outras motivações. “Normalmente, para que um presidente seja recebido na Casa Branca é importante responder positivamente a uma espécie de ‘caderno de encargos’, nos quais constam exigências como boa governação e outros”, disse a nossa fonte.

“João Lourenço está quase em fim do mandado e não conseguiu que fosse recebido no mítico salão oval, sendo que em contra-partida o seu homólogo da Zâmbia, Hakainde Hichilema,

 que foi eleito há pouco tempo, está na disputada lista de estadistas que têm acesso à Casa Branca. 

De acordo com fontes concordantes, o líder zambiano tem encontro marcado com a vice-presidente Kamala Harris.

Recentemente, o presidente angolano também não foi incluído numa short-list de líderes africanos convidados pelo homólogo americano a participar num debate sobre Ambiente, realizado em Washington. 

Para minimizar o fracasso diplomático que é não ter conseguido que o Presidente João Lourenço fosse recebido na Casa Branca, o ministro das Relações Exteriores prefere exaltar a parceria estratégica estabelecida entre os dois países que, segundo ele, vai de vento em popa.

“Temos tido encontros a vários níveis. A parceria está de saúde e penso que está também é a avaliação que os Estados Unidos têm feito”, consolou-se Teté António.

Jornalista há 40 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação social públicos e privados. Na mídia pública regista passagens pela ANGOP, Jornal de Angola e Televisão Pública de Angola. Na imprensa privada tem profundas impressões digitais no Correio da Semana, Folha 8 (de que foi co-fundador e editor chefe), Angolense (co-fundador e editor chefe), Semanário Angolense (co-fundador e Director Geral) e, actualmente, no Correio Angolense. Como militar das antigas FAPLA registou passagens pelos jornais Njango Ya Sualaly (órgão da então Direcção Política Nacional) e Jornal Desportivo Militar (JDM).