Num registo certamente antigo, mas só agora colocado nas redes sociais, o actual presidente da UNITA, Isaías Samakuva, diz que “combater a corrupção hoje na verdade, e como deve ser, é combater o MPLA. Destruir a corrupção em Angola é destruir o MPLA”.

Noutro momento do mesmo registo audiovisual, Samakuva pergunta se o presidente João Lourenço ”quererá destruir o MPLA. Essa pergunta já a fiz várias vezes”.  

Aparentemente “angustiado” com a dúvida, o presidente da UNITA insiste: “Ele (João Lourenço) quer salvar o MPLA ou quer salvar Angola? Se quer salvar Angola, o MPLA deixa de existir, e deixa de existir não só por via jurídica; deixa de existir porque está tudo misturado. A corrupção é o MPLA, como angolanos temos de aceitar isso. Os próprios companheiros, os próprios angolanos do MPLA têm de aceitar isso”.

No dia 21 de Outubro, por ocasião da retomada do seu assento no Conselho da República, Isaías Samakuva ouviu do Presidente João Lourenço votos de que “Espero que desta vez tenha vindo para ficar”,  ao que ele retrucou com a afirmação de que “esta responsabilidade leva-nos a trabalhar para a unidade nacional, leva-nos a estar mais próximos do Senhor Presidente”. 

Depois do já célebre compromisso do dia 21 de Outubro de “estar mais próximos do Senhor Presidente”, fica por saber se essa disponibilidade do líder da UNITA é para ajudar o Presidente João Lourenço a “destruir a corrupção em Angola” ou se é para “destruir o MPLA”.

No registo audiovisual aqui citado, Isaías Samakuva deixa claro que Angola e o MPLA são incompatíveis. “Se (ele, Presidente João Lourenço) quer salvar Angola, o MPLA deixa de existir”.

Os militantes do MPLA, que apoiam incondicionalmente todas as formas de combate de João Lourenço a Adalberto Costa Júnior, precisam de saber os termos do recente entendimento entre o Presidente da República e o líder temporário da UNITA.

O MPLA e a corrupção em Angola aparentam ser faces da mesma moeda. 

No ano passado, ao penalista Alberto Sérgio Raimundo, advogado de defesa do então governador do Banco Nacional de Angola, foi atribuída a afirmação segundo a qual o MPLA seria uma organização criminosa, cuja extinção deveria ser requerida pelo Ministério Público.

Semanas depois, quando o Correio Angolense o confrontou com a mesma questão, Sérgio Raimundo esclareceu: “Nada do que  me coloca tem a ver com a verdade daquilo que eu disse na altura. As minhas palavras foram manipuladas, pois, eu nunca disse isso e não tenho como mudar de opinião em relação a este tema. (…)  O que eu disse naquela altura foi no sentido de alertar o próprio MPLA que a tese defendida pelo Ministério Público nas suas alegações, neste e noutros processos mediáticos, insinuava que o MPLA era uma organização criminosa, razão pela qual, a ser verdade o que defendia, sendo uma instituição séria e, em coerência e consequência da sua tese, deveria, na qualidade de fiscalizador da legalidade democrática, requerer a sua extinção, ao abrigo da lei dos partidos políticos, que consagra, mais concretamente, no preceito do artigo 33.º n.º 4, alínea e) da lei n.º 22/10 de 3 de Dezembro, que os partidos políticos extinguem-se quando: o partido político receber, directa ou indirectamente, financiamentos proibidos nos termos da lei; ou ainda, se verifique que o seu fim real é ilícito ou contrário à moral ou ordem pública. Ora, o que eu disse, e repito aqui, é que o Ministério Público é quem tem estado a insinuar que o MPLA é uma organização criminosa e não eu. Aliás, o próprio Presidente do MPLA veio publicamente reconhecer que o seu partido, sob a anterior liderança, andou a delapidar as riquezas do país. Não é novidade nenhuma e eu não disse nada de extraordinário, tão-pouco tentei descobrir “um novo caminho marítimo para a India,” onde até hoje já se vai de avião que é mais rápido. É preciso muito cuidado e prudência no tratamento e definição da estratégia do combate à corrupção, porque senão o país poderá desmoronar-se.”

Jornalista há 40 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação social públicos e privados. Na mídia pública regista passagens pela ANGOP, Jornal de Angola e Televisão Pública de Angola. Na imprensa privada tem profundas impressões digitais no Correio da Semana, Folha 8 (de que foi co-fundador e editor chefe), Angolense (co-fundador e editor chefe), Semanário Angolense (co-fundador e Director Geral) e, actualmente, no Correio Angolense. Como militar das antigas FAPLA registou passagens pelos jornais Njango Ya Sualaly (órgão da então Direcção Política Nacional) e Jornal Desportivo Militar (JDM).