A aguardar confirmação do Senado para a sua efectiva nomeação, o futuro embaixador norte-americano em Angola, Tulinabo Salama Mushingi, é descrito pela newsletter África Monitor como “um indivíduo especialmente sensível a ‘perversões’ como opressão política, a má governação e a pobreza extrema”.

Originário da República Democrática do Congo, Tulinabo Salama Mushingi já lidou com essas ‘perversões’ em países como Moçambique, Zâmbia, República Centro Africana e outros, onde trabalhou primeiro ao serviço do Peace Corps e depois como diplomata de carreira.

De acordo com o Africa Monitor, Mushingi é particularmente sensível às já referidas perversões porque conviveu com elas no seu país de origem.

As suas origens na RD do Congo, onde inicialmente conviveu com tais perversões, é apontada pelo próprio como causa da sensibilidade com que reage a desigualdades/injustiças a que estão sujeitas as populações de múltiplos países africanos”.
Nos círculos que frequenta, Mushingi é definido como um honest man, “convencido de que uma boa democracia pode contribuir eficazmente para a ultrapassagem de problemas com que os países africanos, na sua maioria, vivem confrontados”.

São lhe conhecidos desabafos de acordo com os quais “em todos os países africanos por onde passou notou uma tendência para o tratarem mais como um africano do que como um norte-americano. Por essa razão, se deu conta de subtis tentativas para o tentarem influenciar tirando partido de uma pseudo identidade comum”.

Com esse histórico de repúdio a perversões, Tulinabo Salama Mushingi terá muito em que ocupar a cabeça em Angola.

De um modo geral, diplomatas africanos são muito “sensíveis” a malas de peixe seco, caixas de mariscos (que não abundam ou são mesmo inexistentes em muitas paragens) e, sobretudo, a envelopes com dinheiro.

A antecessora de Mushingi deixa Angola com a convicção de que, em vésperas de eleições, a comunicação social pública não dá tratamento igual a todas as forças políticas que disputarão o poder.

À saída da última audiência que o Presidente João Lourenço lhe concedeu, a embaixadora cessante dos Estados Unidos, Nina Maria Fite, disse ter recordado ao líder angolano o seu compromisso com a liberdade de imprensa, um dos mais importantes pilares da democracia.

Tulinabo Salama Mushingi chegará a Angola a tempo de acompanhar os preparativos das próximas eleições gerais.

Com essas credenciais, Tulinabo Salama Mushingi será, sem dúvida, o homem certo no lugar certo.

Jornalista há 40 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação social públicos e privados. Na mídia pública regista passagens pela ANGOP, Jornal de Angola e Televisão Pública de Angola. Na imprensa privada tem profundas impressões digitais no Correio da Semana, Folha 8 (de que foi co-fundador e editor chefe), Angolense (co-fundador e editor chefe), Semanário Angolense (co-fundador e Director Geral) e, actualmente, no Correio Angolense. Como militar das antigas FAPLA registou passagens pelos jornais Njango Ya Sualaly (órgão da então Direcção Política Nacional) e Jornal Desportivo Militar (JDM).