Há vacinas contra a Covid’19 reconhecidas tanto em Angola como na Europa comunitária. Mesmo assim, os certificados gerados na plataforma do Governo de Angola não têm curso na Europa, um problema que se arrasta há já algum tempo ante o mutismo e a inação das autoridades sanitárias e diplomáticas de Angola

Os cidadãos nacionais e estrangeiros residentes em Angola que, por alguma razão, se deslocam à Europa estão a conhecer sérios constrangimentos por causa do certificado digital de vacinação contra a Covid’19 emitida pelas autoridades sanitárias angolanas. 

É que o documento, que pode ser obtido numa plataforma governamental afim, não tem validade no espaço comunitário europeu, nomeadamente em  Portugal, país demandado pela maioria dos angolanos que viajam para o exterior. 

A apresentação do certificado digital angolano tem resultado em vergonha para os que o exibem, seja onde for.

Uma das razões é que algumas vacinas ministradas em Angola, nomeadamente a Sinofarma (chinesa) e a Sputnik (russa) não estão ainda reconhecidas na União Europeia. A este problema acresce-se outro: por falta de unidades disponíveis da segunda dose da Sputnik, muitos angolanos foram obrigados a tomar outra vacina e, em alguns caso, até para lá dos 90 dias estabelecidos como prazo ideal entre uma dose e outra. 

Isto leva a que qualquer angolano na Europa Comunitária que procure por um serviço público ou de outra natureza, como restauração ou recintos desportivos,  por exemplo, tenha que fazer o teste RT-PCR 72 horas antes ou o teste antigénio 48 horas antes. Além dos custos associados a estes testes, há também o constrangimento temporal, uma vez que é necessário agendar com alguma antecedência. 

O constrangimento por que passam os cidadãos nacionais são observados com estranha omissão quer pelas autoridades sanitárias quanto as diplomáticas. As viagens de angolanos para e de Portugal e outras paragens europeias deveria impor às nossas autoridades a necessidade de celebração de protocolos com homólogas afins para o reconhecimento do Certificado de Vacinação Digital emitido por Angola para os casos em que o portador tenha tomado vacinas mutuamente aceites. Tais sãos os casos das vacinas da Pfizer, AstraZeneca, Janssen ou Moderna.

Apesar de reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, a vacina chinesa da Sinopharm não tem curso autorizado no espaço da Europa Comunitária. O mesmo se passando com a russa Sputnik. Os europeus alegam que os russos não submeteram a sua vacina a todos os testes indispensáveis.  

Deste modo, com a recusa da Europa Comunitária de reconhecer a sua validade, o Certificado de Vacinação de Covid-19 emitido pelo Ministério da Saúde não tem serventia nenhuma. 

Mesmo em Angola, ele perdeu curso desde que foi levantada a cerca sanitária.

Jornalista há 40 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação social públicos e privados. Na mídia pública regista passagens pela ANGOP, Jornal de Angola e Televisão Pública de Angola. Na imprensa privada tem profundas impressões digitais no Correio da Semana, Folha 8 (de que foi co-fundador e editor chefe), Angolense (co-fundador e editor chefe), Semanário Angolense (co-fundador e Director Geral) e, actualmente, no Correio Angolense. Como militar das antigas FAPLA registou passagens pelos jornais Njango Ya Sualaly (órgão da então Direcção Política Nacional) e Jornal Desportivo Militar (JDM).