Angola tem sido incapaz de tirar o maior proveito financeiro possível da “operação especial” da Rússia na Ucrânia, segundo disse ao Correio Angolense fonte ligada ao sector da Energia. 

De acordo com a fonte, que preferiu não ser identificada, vários países da Europa demandaram Angola na perspectiva de obter acordos para compra de petróleo e gás, mas foram mal sucedidos. “Países que dependem do petróleo e do gás da Rússia estão buscando alternativas e Angola foi cogitada para o efeito”, disse a fonte.

O interesse maior de países como Alemanha, Hungria, República Checa, Polónia, entre outros é a compra de Gás Natural Liquefeito (LNG, na sigla em inglês). Contudo, Angola não tem capacidade para satisfazer a demanda, não apenas porque a sua produção é quase residual para as necessidades da Europa como está toda comprometida com a China por muito tempo.

“Por enquanto, é possível que a Rússia continue a fornecer gás à Alemanha. Mas não se descarta a hipótese de quando chegar o inverno acontecer um corte de abastecimento de gás, de modo a responder às sanções que lhe foram impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América”, conjeturou a fonte.

Para a fonte que vimos citando, Angola poderia maximizar os seus lucros com a venda de petróleo e gás, pois o preço “está nas alturas” e seguramente que mais lá para a frente a cotação será bem mais alta. “O cenário de Angola lucrar com a guerra na Ucrânia está fora de hipótese e mesmo em relação ao petróleo os lucros não são substanciais em virtude de parte da produção estar há muito comprometida, também com a China”, explicou.  

“Dificilmente um país apenas terá capacidade de cobrir em volume o gás que a Rússia fornece a vários países da Europa. Por isso, está a buscar soluções alternativas em vários países, entre os quais Angola, para a eventualidade de as autoridades russas fecharem a torneira do gás. Os europeus estão a preparar-se para o pior cenário”, prognosticou a fonte.

Angola dispõe de uma fábrica de LNG no Soyo que começou a operar em 2013, representando um investimento de USD 12.000 milhões de dólares, o maior de sempre da história da indústria de energia em Angola. O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Sonangol (22,8%), Chevron(36,4%), BP(13,6%), Eni (13,6%) e Total(13,6%). A capacidade instalada de produção é de 5,2 milhões de toneladas de de gás natural líquido por ano e de processamento de 1,1 milhões de metros cúbicos por dia, segundo informa o site da companhia.