Eleições angolanas na agenda de Washington

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A sub-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman
 (na foto) e a secretária de Estado Adjunta para os Assuntos Africanos, Molly Phee, que estão a caminho de Angola, trazem na agenda preocupações relativas às eleições gerais no país, marcadas para Agosto próximo. 

Os Estados Unidos têm prestado bastante atenção aos preparativos das eleições angolanas.

Em Fevereiro deste ano, o Departamento de Estado norte-americano anunciou ter disponíveis 2.500.000 (dois milhões e quinhentos mil) de dólares para apoiar iniciativas ou projectos que promovam eleições livres e justas em Angola.

Sob a designação “Apoiar um Ambiente Eleitoral Local Credível em Angola”, o Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado abriu um um concurso através do qual podiam  candidatar-se aos fundos do programa as organizações que apresentem projectos que apoiem eleições transparentes e promovam “reformas eleitorais inclusivas”.

No comunicado, os Estados Unidos afirmam pretender “eleições credíveis em Angola que contribuam para a abertura democrática e um amplo envolvimento das partes interessadas” numa plena reforma eleitoral.

A vinda ao nosso país das duas funcionárias seniores do Departamento de Estado foi comunicada ao ministro das Relações Exteriores, Teté António, pelo embaixador norte-americano em Angola, Tulinabo S. Mushingo, no decurso de um encontro que tiveram terça-feira, 26.

Victor Lima, secretário do Presidente da República para os Assuntos Diplomáticos e de Cooperação Internacional, e Francisco Queiróz, ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, terminaram sábado uma discreta digressão pelos Estados Unidos.

Não é conhecido o motivo que levou os dois altos funcionários angolanos aos Estados Unidos. Mas fontes atentas não dissociam esse “tour” da visita que o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, efectuou àquele país em Março.

Nessa ocasião, o líder do maior partido da oposição plantou muitas dúvidas nos seus interlocutores norte-americanos sobre os preparativos das próximas eleições angolanas. 

A UNITA e outras forças da oposição temem que a composição da Comissão Nacional Eleitoral, dominada pelo MPLA, ameace a transparência eleitoral. Os temores estendem-se à composição do Tribunal Constitucional, ele também maioritariamente composto por juízes com ligações ao MPLA. 

No ordenamento jurídico angolano, o Tribunal Constitucional assume, também, as vestes de Tribunal Eleitoral. 

Ainda em Março, Correio Angolense soube de boa fonte que Adalberto Costa Júnior deverá regressar aos Estados Unidos no próximo mês de Maio. 

Nessa altura, ele viajará acompanhado por Abel Chivukuvuku e Filomeno Vieira Lopes. 

Uma task force norte-americana está a trabalhar para que o trio que encabeça a Frente Patriótica Unida (FPU) seja recebida, em privado, pelo presidente americano, Joe Biden.

Victor Lima e Francisco Queiróz terão ido aos Estados Unidos para minimizar os “estragos” causados por Adalberto Costa Júnior.

Poucos dias antes, esteve nos Estados Unidos uma outra comitiva angolana composta pelo ministro de Estado da Casa de Segurança do Presidente da República, Pereira Furtado, acompanhado do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, Egídio dos Santos “Disciplina”, assim como pelo director-adjunto do Serviço de Inteligência Externa (SIE), Mário Costa.

A delegação foi recebida pelo secretário de Estado de Defesa Austin Lloyd. 

A troca de delegações entre Estados Unidos e Angola testemunha uma boa fase das relações bilaterais.

“Em véspera de eleições, a vinda a Angola de duas altas funcionárias do Departamento de Estado prova que Washington tem levado a sério as inquietações de vários círculos relativamente às próximas eleições”, segundo resumiu ao Correio Angolense uma fonte do MIREX angolano.

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