Sendo certo que eleições não são o foco exclusivo das empresas de sondagem é, porém, duvidoso que alguém crie uma empresa que não possa pisar esses terrenos.

A lei, aprovada na especialidade, pela Assembleia Nacional, proibindo a realização de sondagens durante campanhas eleitorais é, trocado por miúdos, uma proibição à criação de empresas que tenham como objecto social a realização de pesquisas de opinião.

Na verdade, nenhum ser humano com “cabeça, tronco e membros” empenhará 15 milhões de kwanzas – que é o valor mínimo que a lei estabelece – para criar uma empresa que não possa fazer sondagens em épocas eleitorais.

O MPLA, o proponente da lei, guarda uma experiência traumatizante com as sondagens.

Em 2017, uma sondagem que ele encomendou a empresa brasileira Sensus, atribuía ao MPLA apenas 38% das intenções de voto, contra 59% da oposição, sendo que deste quinhão caberiam 32% à UNITA, 26% à CASA-CE (então liderada por Abel Chivukuvuku) e 1% à FNLA.   

Traumatizado, o MPLA “rasgou” a sondagem e negou qualquer vínculo com a empresa brasileira. 

A pesquisa que “endoideceu” a grande família foi realizada entre Janeiro de 2013 e Fevereiro de 2017 e segundo os seus promotores  reflectia “a opinião dos membros que compõem a sociedade em relação ao desempenho do Governo numa gama variadíssima de temas que vão desde (I) Política e Políticas Públicas; (II) Economia e Finanças; (III) Ética, Moral e Corrupção; (IV) Transparência dos Órgãos Estatais; (V) Ciência, Tecnologia e o Meio Ambiente (VI) Política Externa e Defesa Nacional a (VII) Sociedade e Qualidade de Vida”.

A proposta de lei que a maioria do MPLA garantidamente sancionará é o reflexo do trauma de 2017.

Nos termos da Constituição angolana, o MPLA formaria Governo com a sua minoria. Mas, garantidamente, cairia ao terceiro chumbo consecutivo da sua proposta de Orçamento Geral do Estado.